PAE - UM RECANTO DE PAZ

UM REDUTO DE PAZ DE "MARIA DOLORES"

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

SANGRANDO, NO DIA DOS MORTOS.

Luiz Carlos Formiga


“Falar é uma necessidade, escutar é uma arte.” Goethe (*)

A vida física desaparece, mas a psicológica clama pela continuidade da existência. A mente humana acha insuportável a inexistência da consciência. Isso é um problema, pois existem Leis Naturais a incentivar a responsabilidade pessoal, mesmo depois da morte.
Hoje sabemos que há um tribunal, um juiz, um oficial de justiça, um carcereiro. Tudo que temos direito.
Vamos ao mais do mesmo, neste “dia dos mortos”. Relembro que alguns periódicos espíritas já me pediram a produção de textos. Isso me deixa em dificuldade e tenho que explicar que só escrevo quando desperto na madrugada sentindo uma vontade imperiosa de ir ao computador.
Na madrugada, quando eu soltar a minha voz, por favor entenda que palavra por palavra, eis aqui uma pessoa se entregando.(1)
Quando estive num “Culto no Lar” o médium colocou música do Rei Roberto Carlos. Aí, perdi o preconceito e até já escrevi ao som de Ben Harper. Talvez porque as tenha usado, “sem pudor”.
Neste meu “culto” de hoje me veio à memória a mensagem do espírito Gonzaguinha.
Já referi também que talvez por esperar “a vontade imperiosa”, escrevo pouco e a motivação surge quando meus olhos se molham, pelo tema, pelo problema, pela minha impotência, pela incompetência. E se eu chorar e o sal molhar o meu sorriso, não se espante, cante que o teu canto é a minha força pra cantar.
Ainda creio que é problema psiquiátrico, pois escrevo para não me sentir principalmente omisso. Não penso em população alvo, específica e, se o leitor vai me ajudar. Todos estão sempre absorvidos pelas próprias superações. Mas, quando eu soltar a minha voz, por favor entenda que é apenas o meu jeito de viver o que é amar.
 Confesso que gostaria que me ajudassem a divulgar valores éticos espíritas, Mas, para isso creio que teria que dar uma “tacada genial”. Aquela da “bola preta”, que fosse capaz de lhes tocar as fibras mais íntimas da caçapa, sangrando-lhe as entranhas emocionais, salgando as emoções, de que fala o Rei.
Será que o aborto de anencéfalos seria um tema capaz desse milagre?
E o suicídio de espíritas? (2)
Coração na boca, com o peito aberto, vou sangrando. São lutas dessa nossa vida que eu estou cantando, teclando.
Depois que escrevo a desconfortável sensação de omissão desaparece ou diminui. Fica mais longe a próxima madrugada, de sono insuficiente (3).
Suicídio de espíritas, sim, é tema capaz de realizar o milagre de quebrar a indiferença aparentemente orgulhosa.
Já escrevi também sobre sexualidade e drogas. Foi muito pequena a repercussão, mas chegamos à primeira página do Jornal Espírita. Avisou-me o Palhano quando estava num congresso na Bahia. Não me lamento pela indiferença, porque aquela sensação de omissão, desaparece e fica longe por muitos dias. É como se eu tomasse mais uma dose da vacina da resiliência.
Sangrando podemos ser tentados pela revolta (4), porque ainda desejamos inúmeros privilégios, como um “foro privilegiado” (5).
Por favor! Homem velho renovado afasta a ideia da pena de morte, embora os “mais iguais” possam cumprir até “prisão domiciliar”, havendo dinheiro para comprar o adereço.
Diante de tanta injustiça corremos o risco de ver surgir em nós “o homem velho” que fazia justiça com as próprias mãos. O homem velho renovado pode até pensar, uma vez ou outra, que até seria bom se Jesus e Kardec estivessem errados.
Mas, Jesus demonstra a imortalidade, lecionando com aulas práticas. Kardec amplia Sua resposta, dada a Nicodemos na calada da noite, quando foi interpelado sobre o “nascer de novo”. Agora vem Bezerra insistindo em diversas comunicações: Não tendes mais arenas, nem as cruzes, nem os empalhamentos, nem as fogueiras (6).
Se Jesus e Kardec estivessem errados aliviaria a “minha barra”, de espírito que entrou no cheque ouro e no cartão de crédito, em dívida com a Lei Divina e com paixões internas a vencer.
Creio que ainda no processo de reencarnação, na espiritualidade, optei pela delação premiada, mas ainda estou preso no corpo na terceira idade. Uso aquele enfeite eletrônico de tornozelo. No entanto, o pior mesmo é sentir esse mal estar, quando examino o histórico da liberação do aborto no Brasil. Veja o histórico na referência número 3.
Estou evoluindo. Já não sinto raiva intensa dos governantes. Eles chutaram o balde, mas depois terão que limpar o chão. Devemos permanecer alertas, para não sucumbir ao “canto da sereia”. A Lei Divina não nos deixa escapar. Jesus alertou: Entra em acordo depressa com teu adversário, enquanto estás com ele a caminho do tribunal, para que não aconteça que o adversário te entregue ao juiz, o juiz te entregue ao carcereiro, e te joguem na cadeia. Com toda a certeza afirmo que de maneira alguma sairás dali, enquanto não pagares o último centavo. (Mateus, 5:25).  
Onde está o tribunal? Quem é o juiz? Quem é o carcereiro? Onde é o presídio de segurança máxima? Qual a condição para libertação?

(*)  Linhas Tortas.

2.  Carta de Susana Rodrigues. Sobral. Ceará.24/10/2016. http://www.oconsolador.com.br/ano10/489/cartas.html