PAE - UM RECANTO DE PAZ

UM REDUTO DE PAZ DE "MARIA DOLORES"

domingo, 1 de abril de 2018

A CRUCIFICAÇÃO DE JESUS A GRANDE TRAGÉDIA DO OCIDENTE

Margarida Azevedo


            Fora das grandes temáticas existenciais da tragédia grega, lembremos Antígona, de Sófocles, em que os deveres de família e os da cidade entram em conflito; quando a tragédia é a tomada de decisão que vai contra uma ordem pré-estabelecida imanente à cidade, baseada numa opção em que a protagonista decide morrer em nome do cumprimento do dever para com a lei interior, a família, temos o trágico como ruptura entre o particular e o geral.

            Mas a tragédia não é apenas o terreno do conflito ético e político do humano em que os deuses tomam partido e o mito se impõe com toda a sua força como forma explicativa dos nossos problemas existenciais. A tragédia também é pertença do religioso monoteísta. A crucificação de Jesus conduziu a uma dimensão trágica da fé enquanto manifesação existencial de entidades em conflito. Com Jesus não temos propriamente o conflito entre geral e particular, mas o particular manifestante de uma tanscendência em oposição a alguns aspectos do geral.

Os tragiógrafos gregos, muitos séculos antes de Cristo, mergulhados no mais fundo sentido do mito, jamais conseguiriam pensar uma realidade como esta. Jesus não é uma abstracção que se impõe, reflexiva, a algumas práticas judaicas de então, mas um homem que, muito embora fiel à sua fé judaica remete a mesma para uma interioridade que, pelo muito amar, é voz directa de Deus. Imanente e transcendente encontram-se na cruz como máximização da fé. Jesus não foi o profeta da política nem da economia, mas deu os trunfos para, mediante o Amor e nada mais, conduzir o homem/mulher à mudança do rumo da História.

            A dimensão trágica entra também perante a realidade de um judeu (lembremos, antigo discípulo de João Baptista),condenado à morte como zelota (radical insurrecto e extremista, mas que ele nunca o foi); temido como possível rei dos judeus; blasfemo porque, talvez, messias (o que ele não queria ser, Mc 1:44); crítico da estagnação numa tradição que, muito embora identificadora de um povo, tem que naturalmente submeter-se ao progresso, que não significa anulação mas complementaridade; seguidor/defensor da Lei/profetas, nomeadamente Jeremias e Isaías; pregador provinciano desejoso de se isolar (Mc 1: 40-45), e, no fundo, insignificante.

            Os Cristãos têm-se esforçado por legitimar o mal-entendido desta condenação e, simultaneamente conferir-lhe uma continuidade teológica: Jesus é o Messias proclamado pelos profetas do antigo Israel. Ora nem as profecias eram para tão longo espaço de tempo, nem o messias seria, pela sua própria natureza messiânica, dependente de uma profecia. O sonho colectivo de um povo, geralmente, não é coincidente com os factos históricos nem com as dinâmicas da fé. O que caracteriza o humano é a sua imprevisibilidade, e Deus não obedece aos homens/mulheres. Uma das tragédias humanas é precisamente a da ilusão de que diz o que Deus é, superlativizada aquando da colagem a um profeta.

            Quanto ao texto bíblico, este representa a esperança de um povo que pretende viver autonomamente, esperançoso de que venha um Enviado trazer um modelo de governação que sintetize história/fé, política/religião. Isto faz todo o sentido. A fé é tão terrena como a esperança ou desejo de libertação. Uma fé não libertadora, isto é, não praticável na realidade existencial, é uma quimera. A fé tem que ser uma resposta.

            Os Cristãos  foram construindo um messias que, a pouco e pouco, se distanciou do mundo terreno, projectando o objectivo da sua existência no para lá, um Reino de Deus longe do mundo. Os Judeus, contrariamente, pretendiam um messias totalmente voz de Deus mas no mundo, o que significa que sem mundo Deus está-nos vedado, e sem a fé em Deus não temos fundamento existencial para o mundo.

            E a questão impõe-se: Jesus é messias ou não? O messias já veio ou está para vir? Pregador do Reino de Deus através do Amor, estamos em presença de uma reafirmação de que a política e a fé são compatíveis: o governante é um messias na medida em que muito ame o seu povo. À semelhança da noção de falsos profetas de que falou o jovem Jeremias, os quais não são apenas os videntes ao serviço de forças malignas (Jr 14:13-16), como pensam alguns, infelizmente, mas os que profetizam em seu nome pessoal (idem), mas de políticos que pregam no Templo e na sinagoga uma coisa e que, no acto de governar, não cumprem com os parâmetros que lêem na Lei. A falsa profecia é todo um conjunto de interesses particularistas, tornando redutível a prática da Lei a um pequeno espaço, o lugar de culto e de estudo. Repare-se que todos os profetas desempenharam um papel importante no momento histórico em que viveram, aliás, a dimensão historico-política é indissociável dos seus discursos proféticos. Veja-se o exemplo das grandes temáticas de então: leis injustas, Is 10:1-2; grande propriedade, Is 5:8-10; baixos salários, Jr 22:13-15; pesados impostos, Am 2; 8; 5:11, juntamente com as grandes reflexões religiosas: falsos profetas, Jr 14:13-16; a idolatria, Jr 44, ou ainda aspectos estruturantes da sociedade: luxo, Is 3:18-24; escravatura, Jr 34:8-11.

            Ora a tragédia em torno da crucificação de Jesus situou-se mais no campo político do que propriamente religioso. Depressa a perseguição a grupos religiosos aos quais impunham a culpa da crucificação conduziu a conflitos evitáveis. Tornou-se uma questão cultural e psico-social, esvaziando o verdadeiro sentido messiânico e profético. Neste quadro, Jesus é o profeta libertador para lá do político e do religioso particulares na medida em que ensina um novo modelo de conduta: a universalidade da Lei só faz dentido mediante o Amor, ou seja, governar é um acto de amor supremo;  de um ponto de vista religioso, o bem amar agrada a Deus e garante o Banquete no Seu Reino. O Messias é um conciliador. Fora disto prolonga-se a tragédia de Jesus na Cruz e não a paz libertadora da Ressurreição; culpam-se uns, inocentam-se outros, sem perceber que os homens/mulheres são protagonistas quer na dimensão trágica como na libertadora; todos são prisioneiros em terra estrangeira e todos procuram a Terra Prometida. Em Jesus é o Reino de Deus.

            Mas onde é esse reino? Num mundo distante onde, ao ingressarmos seremos automaticamente bons e generosos? Um mundo que se nos revela somente após a morte? Um mundo paradisíaco de árvores de fruto coloridos e perfumados, de leite e de mel? O reino de Deus é aqui e agora, neste mundo, neste momento. O que se é aqui é-se em qualquer parte. O povo de Deus é o povo da paz espalhado pelo mundo.

            Fazer de Jesus um messias ou não não torna ninguém melhor ou pior. A fé pode tornar-se o grande mal se escravizada às convicções quando tidas como as únicas. A fé sem liberdade não é fé, mas uma confusão perigosa de ideias ao serviço do demoníaco. O infiel é alguém que crê apenas de forma diferente.

            Curiosamente, o Messias é reconhecido sem rodeios e sem dúvidas, em toda a plenitude, não por Judeus nem por Cristãos, mas pelos Espíritos imundos (Mc 3:11). Há aqui uma dimensão existencial que remete, inevitavelmente, para o enigma. Desta forma, a grande questão prevalece: Quem é Jesus? Podemos afirmar que os Espíritos imundos são as trevas e que só estas sabem quem é Jesus? A identidade de Jesus só é perceptível pelo imundo? O que é o imundo? Quem somos nós? Que Jesus representamos nas nossas cabeças/corações? Que noção temos da sua identidade? Que retrato fazemos dele?

            Cristãos, que imagem têm dado de Jesus ao longo da História? Que papel desempenhou a crucificação para as congregações cristãs? A História é a sequência de actos que acontecem no tempo e no espaço e, se não se aprender a enterrar o passado para dar lugar a um presente de paz, continuar-se-á a crucificar Jesus no Calvário da ignorância e a fazeer da nossa existência uma tragédia.

            Onde é que estavam os apóstolos quando Jesus foi crucificado? Onde estamos nós, judeo-cristãos dois mil anos depois? Em que lugar nos colocamos na História? As respostas são diferentes segundo os evangelhos. Jesus viveu a tragédia da solidão, o esvaziamento do humano nos momentos difíceis, a fragilidade das suas convicções quando elas eram mais necessárias. Porque desceu ele aos infernos das nossas precaridades, da nossa ignorância? Que fragilidade na força e que força na fragilidade nos quis transmitir?

            A Páscoa de Jesus é a Páscoa de Judeus e Cristãos. A passagem, a grande Passagem à consciência do trágico da Fé e da História que só pelo Amor é possível de ultrapassar. Não podemos continuar a permitir que o imundo se sobreponha ao mundo. Este judeu conferiu à Lei a maior força que se lhe pode dar: o Amor.

            Celebre esta Páscoa como a passagem à liberdade da alma, a proclamação de uma nova noção de beleza, a de comer em qualquer mesa sem preconceitos. Desejo-lhe uma Santa Páscoa.

Margarida Azevedo


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Sites consultados

obomministro.blogspot.com

pt.wikipedia.org/wiki/Jeremias

revistas.ufpr.br/vernaculo/article/viewFile


Bibliografia consultada

NEVES, Pe. Carreira das, As Grandes Figuras da Bíblia, Profetas, pp. 156-339, Editorial Presença, Lisboa, 2010.

SOFOCLES, Antígona, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 2012.


Bíblia Consultada

Antigo Testamento, vol.III, Os Livros Proféticos, trad. de Frederico Lourenço, Quetzal, Lisboa, 2017.

Novo Testamento, vol.I, Os quatro Esvangelhos, trad. de Frederico Lourenço,, Quetzal, Lisboa, 2016.

Desafios do Evangelho - ser espírita

Desafios do Evangelho - ser espírita
Vladimir Alexei

Vladimir Alexei
Belo Horizonte, das Minas Gerais,
Domingo de Páscoa, 01 de abril de 2018.

Estudando com os amigos do Grupo da Bênção (Mario Campos, Minas Gerais) a respeito dos tesouros contidos no Antigo e no Novo Testamento, nos assombramos, novamente, com o tamanho de Jesus.

Jesus é de uma profundidade e amplitude que a nossa razão ainda desconhece adjetivos e analogias que melhor representem sua condição espiritual. Faltam-nos sensibilidade para conseguirmos medir Sua grandeza, que, certamente, vai além do que é descrito no Novo Testamento.

No livro Gênese, Antigo Testamento, em seu primeiro capítulo, nos cinco primeiros versículos, encontramos, em seu sentido espiritual, elementos de uma profunda conexão entre Deus e Jesus, cuja beleza Emmanuel descreve na obra A Caminho da Luz, com riqueza de detalhes, em sua capacidade de síntese extraordinária.

Na Bíblia de Jerusalém, os cinco primeiros versículos foram traduzidos da seguinte forma: “No princípio, Deus criou o céu e a terra. Ora, a terra estava vazia e vaga, as trevas cobriam o abismo, e um sopro de Deus agitava a superfície das águas. Deus disse: haja luz e houve luz. Deus viu que a luz era boa, e Deus separou a luz e as trevas. Deus chamou à luz “dia” e às trevas “noite”.” Poderíamos nos dedicar a interpretar versículo por versículo (quem sabe um dia?), mas nos limitaremos a entender alguns pontos. Por formação da Terra, Emmanuel explica a partir da nebulosa que se desprende do Sol e que se forma, incandescente, depois esfria e se transforma incessantemente no decorrer do tempo até criar condições para os primeiros movimentos de vida no planeta.

Quando nos mantemos no estudo e entendimentos do campo “material” é possível compreender o processo de transformação vivenciado pela Terra. O desafio está em traduzir a simbologia contida nas escrituras, para a transformação da vivência espiritual.

Sem dúvida alguma a Uranografia, assim como estudos a respeito da evolução planetária são de suma importância para compreendermos que tudo no Universo se encadeia em uma lógica infinitamente superior à nossa compreensão de mundo, na atualidade. O que é estimulante, do ponto de vista da pesquisa e superação dos limites. Os estudos acadêmicos, notadamente a partir do positivismo de Augusto Comte, que tentou atribuir um caráter mais seguro e definitivo às investidas científicas, produzem, ao longo do tempo, pesquisas estruturadas de acordo com os mecanismos capazes de comprovar, em parte ou no todo, aquilo que se propõe estudar. Contudo, esse estudo esbarra nas comprovações espirituais, algo que algumas universidades já aceitam melhor, de acordo com as recentes publicações (artigos, dissertações e teses). Allan Kardec se valeu dessa filosofia para, ao longo de quatorze anos, conceber obra que pudesse nos acompanhar no melhor entendimento daquilo que Jesus trouxe.

Parece místico, mas é totalmente racional: sem a chave do espiritismo, a compreensão dos ensinamentos de Jesus continuaria arranhando a superfície, sem abrir espaço para a compreensão do ser, quanto ao seu destino e as dificuldades vivenciadas no presente. Sem compreendermos os princípios fundamentais em que a Doutrina dos Espíritos se assenta, será incompleto o entendimento a respeito das ocorrências diárias. A reencarnação, por exemplo, explica uma série de fenômenos, que os defensores de uma vida única não conseguem compreender. Aliás, a vida é única sim: o espírito é um só, mas as experiências são multisseculares. Herculano Pires em sua magistral obra O Espírito e o Tempo, nos diz que “nunca poderemos fugir à realidade dos fatos, que nos mostra o homem, na História, tomando conhecimento do mundo pela experiência (...)”.

É por isso que compreendemos melhor a tentativa do homem em traduzir a presença de Jesus, antes de sua encarnação. No versículo quarto, citado anteriormente, encontramos a expressão Deus viu que a luz era boa, e Deus separou a luz e as trevas. A “luz boa” é a luz do Cristo, cuja sintonia com o Pai (“Eu e o Pai somos um”, Jo., 10:30), foi capaz de conjugar os elementos necessários para a formação de um orbe que abrigasse espíritos exilados de outros orbes e aqueles que estagiariam aqui pela primeira vez em sua caminhada evolutiva. Existe luz ruim? Existem “gradações” da Luz, assim como existem gradações do Amor. Aquilo que ainda não compreendemos pode ser classificado à conta de ruim, assim como aquilo que nos ofusca o olhar pode também ser compreendido como algo ainda distante de fazer o bem. André Luiz, em uma de suas obras, relata a manifestação de espíritos que, de certa forma, apresentavam-se até com certa luminosidade, porém, essa chama, de um amarelado opaco, não resistia à razão calcada no amor e em busca da verdade, fazendo com que a entidade aos poucos caísse em si. É apenas uma interpretação de um fragmento do assunto, que vai muito além.

Os filósofos pré-socráticos, notadamente aqueles de Mileto, além de Pitágoras, Parmênides, Anaxágoras, Empédocles e Protágoras, traduziam suas compreensões da vida, pelas expressões da natureza, sempre em busca de algo superior. São considerados pré-socráticos em função dos seus estudos e não necessariamente por terem vivido antes de Sócrates. Com esse a filosofia passa a ter como elemento central o ser humano, por isso é um dos precursores do Espiritismo. “A vida sem reflexão não vale a pena ser vivida”.

Poderíamos avançar ainda por Platão, Aristóteles, assim como viajarmos para a Ásia, na China milenar com Fo-Hi, Confúcio e Lao-Tse, dentre outros, que também perceberam a proteção de um Ser infinitamente Superior a tudo que já haviam sentido nesse orbe (e até em outros, cuja compreensão fora turvada pelo egoísmo e os degredaram para cá). De acordo com suas compreensões da vida, tentaram traduzir essa grandeza ainda a ser compreendida em profundidade que é a presença do Cristo.

Se imaginarmos que, ao encarnar, Jesus ficou durante trinta anos “misturado” à plebe, como se fosse mais um, já teríamos elementos de sobra para extrairmos da letra o espírito que vivifica. Entretanto, chama-nos a atenção, de forma vertiginosa, o que ele fez em três anos. O que Ele fez em apenas três anos ecoa e ecoará pela eternidade da humanidade vivente na Terra, seja de provas e expiações ou como mundo de regeneração. É o que na atualidade chamamos de “exponencial”. As atitudes de Jesus foram exponenciais, superlativas, de tal forma que o tempo não foi capaz de limitá-la.

Encontraremos Agostinho de Hipona, Santo Agostinho, falando sobre o “Sermão do Senhor na Montanha”, da seguinte forma, apenas para ilustrar essa exponencial figura chamada Jesus: “quem quer que considere de modo piedoso e simples o Sermão que Nosso Senhor Jesus Cristo pronunciou na Montanha, segundo lemos no Evangelho de São Mateus, julgo que encontrará nele, no tocante à retidão moral, a regra perfeita da vida cristã, o que não ouso afirmar temerariamente, mas deduzindo-o das mesmas palavras do Senhor. Do próprio final do Sermão depreende-se que nele estão contidos todos os preceitos concernentes à regulação da vida.”

As conexões entre aqueles que conseguiram apreender em profundidade os ensinamentos exponenciais do Cristo, são maiores do que nossa vã filosofia de vida é capaz de compreender, se nos movermos apenas no limitado campo de nossos conhecimentos. É preciso ampliar nossos limites: “A mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original” (atribuída a Albert Einstein).

A teoria da relatividade, explicada pelo cientista recém desencarnado Stephen W. Hawking, em sua obra Uma breve história do Tempo, nos faz compreender porque essas conexões se assemelham a pontes atemporais: “o tempo deve parecer correr mais lentamente perto de um corpo volumoso como a Terra. Isso é devido à relação entre a energia da luz e sua frequência (...)”. O que isso quer dizer? Quer dizer que, traçando um paralelo entre as regras vigentes do campo físico (pelo menos aquilo que é considerado “axioma”), atribuindo os mesmos princípios ao campo do espírito, encontraremos, de tempos em tempos, espíritos decodificando os ensinamentos do Cristo (energia da Luz) de forma a ampliar ainda mais a ressonância do amor trazido pelo Cristo para os corações que já estão calejados e sobrecarregados de tantas experiências não tão bem sucedidas assim (frequência).

Por isso ainda, Allan Kardec, na introdução de O Evangelho Segundo o Espiritismo, diz que a doutrina se vale do estudo “moral” dos ensinamentos de Jesus. E isso não limita-se aos ensinamentos amarrados por Kardec em O Evangelho Segundo o Espiritismo. Ali temos o roteiro dos estudos quanto ao “método” (“como” estudar), atribuindo-lhes interpretações de cunho moral e espiritual. Aqueles que desdobraram a obra de Kardec, com base em seus ensinamentos, mantiveram-se fieis aos princípios. Aqueles que tentaram “inovar”, se perderam por falta de base. Distinguir uns dos outros, só conseguiremos se estudarmos suas obras. Por isso Paulo recomendava “ler de tudo”...

O Amor é a base de uma pujante obra que tivemos a capacidade de absorver fragmentos daquilo que foi emitido há mais de dois mil anos, no decorrer de apenas três anos. Será que compreendemos, em essência, o que Jesus conseguiu fazer em três anos? Por isso o adágio diz que “o amor cobre uma multidão de pecados”. É compreensível: uma atitude de amor concentra energia suficiente para sobrepor as mazelas dos homens. O desafio é empregar energia no Amor, quando o amor que conhecemos ainda é a manifestação maior do egoísmo. O Amor do Cristo é o que nos convida o entendimento Espírita. Desinteressado, fraterno, Divino!

Três anos que representaram instantes que se perpetuam e se imortalizam pela trajetória de figuras que conseguiram seguir e compreender os ensinamentos do Cristo, notabilizando-se, como aprendemos no estudo de ontem, em virtude de suas tendências, habilidades e “ressonâncias”, fruto da experiência, quedas e tropeços. Vejamos Paulo. Paulo de Tarso é um exemplo por que? Porque, dentre outros prismas, ele representa a figura do intelectual que falhou, que se deixou abater pelos encantos da inteligência, de uma mente preparada para conquistas materiais, que relegaram as conquistas espirituais ao plano do esquecimento.

Por fim, os desafios do Evangelho, para o espírita, passam pela assimilação da profundidade dos ensinamentos do Cristo. Passam por deixarmos as discussões frívolas, superficiais e abraçarmos aquilo que nos tornará seres humanos melhores, mais fraternos, menos egoístas e orgulhosos.

Que Jesus renasça diariamente em nossos corações e mentes, iluminando nossos caminhos para que possamos fazer algo de bom para o próximo, mais próximo e mais carente!