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UM REDUTO DE PAZ DE "MARIA DOLORES"

A Gênese: provas confirmam que Kardec não fez as mudanças contidas na 5ª edição francesa

Fonte:http://www.expedienteonline.com.br/a-genese-provas-confirmam-que-kardec-nao-fez-as-mudancas-contidas-na-5a-edicao-francesa/comment-page-1/#comment-3261

Wilson Garcia

Por mais que os defensores da 5ª edição francesa de A gênese, os milagres e as predições, procurem inverter o ônus da prova e aleguem que não existem evidências de que as modificações em relação às edições anteriores, 1ª a 4ª, não foram feitas por Kardec, os fatos comprovam exatamente o contrário.
Isso fica medianamente claro após os estudos e pesquisas realizados por Simoni Privato Goidanich, reunidos em seu livro – O legado de Allan Kardec – escrito originalmente em espanhol, agora traduzido para o português e publicado pela USE de São Paulo. O seminário promovido também pela USE, neste domingo, 4 de março, na capital paulista, intitulado A Gênese, o resgate histórico, serviu para confirmar tudo aquilo que a autora havia coligido, estudado e reunido em seu livro, mas acabou por revelar inúmeros outros envolvimentos no assunto, de igual importância.
A questão é seríssima e antiga. Apareceu de forma clara 12 anos após o lançamento da 5ª edição de A gênese, lançamento este ocorrido em 1872, três anos após a morte de Allan Kardec. E apareceu pela ação firme de Henri Sausse, com o apoio de Gabriel Delanne e Leon Denis, três nomes da mais alta consideração do espiritismo francês e mundial.  A edição de 1872, a 5ª, foi considerada a definitiva e passou a servir de base para as diversas traduções que se fizeram mundo afora, inclusive no Brasil, daí a sua importância.
Henri Sausse assustou-se quando percebeu os fatos. Publicou um vigoroso artigo no jornal O Espiritismo, da União Espírita Francesa, denunciando a adulteração e elencando as mudanças de textos, as supressões e as indevidas inclusões. Os autores desta infeliz façanha, Jean Leymarie à frente, jamais puderam comprovar que foi Allan Kardec quem promoveu as alterações, apesar das ameaças feitas a Sausse, inclusive de o levar às barras do tribunal.Tradutores e editores da maioria dos países, a FEB aí inclusa, fizeram vistas grossas para o assunto e não o levaram a sério, aceitando as afirmações de Leymarie de que aquela era a edição definitiva e mantendo a verdade sob o véu do esquecimento. Por isso, as diversas traduções de A gênese, os milagres e as predições publicadas em nosso país estão baseadas na 5ª edição francesa. A imagem de Leymarie sempre divulgada conferia a ele um ar de austeridade e de um espírita dedicado e injustiçado, principalmente com o que se disse e se sabia sobre o famoso processo dos espíritas, no qual foi julgado e condenado, tendo, inclusive manchado a história de Amélie Boudet, viúva de Allan Kardec. Leymarie foi mantido historicamente como aquele que herdou e impulsionou o legado de Kardec. Os fatos, agora revelados em sua nudez absoluta, mostram exatamente o contrário: um Leymarie comprometido profundamente com a adulteração da obra final de Kardec e com muitos outros fatos lamentáveis, que mancharam uma história extraordinária, a do Espiritismo.
Mesmo condenada ao esquecimento, a adulteração de A gênese não se manteve totalmente nas sombras. Vez por outra, alguém a trazia a lume e questionava as mudanças ocorridas, o que, de um lado desagradava – como ainda desagrada – alguns e, de outro lado, conduzia outros a questionamentos, ora parciais, ora amplos. Alguns pensavam que houvera apenas supressão de um pequeno texto, o que já seria bastante para se reivindicar a correção, outros imaginavam mudanças mais amplas, de forma e conteúdo, enquanto outros, sem condições de ir a fundo nos estudos e pesquisas, pediam moderação e mantinham o argumento de que na dúvida nada devia ser feito.
Agora os fatos estão postos em sua nudez e negá-los será o maior desserviço que se poderá prestar à doutrina que Kardec exemplarmente legou. O trabalho louvável de Simoni Privato Goidanich, meticuloso, sereno, incansável, traz os documentos que provam definitivamente não ter sido Kardec o autor das profundas e amplas modificações que aparecem na 5ª edição francesa de A gênese. Não há como provar que teria sido Kardec o responsável, pelo contrário, tudo encaminha para a evidência de haver sido processada por Leymarie, às suas expensas, por sua vontade e sob sua responsabilidade.
Mostrar os fatos não é estabelecer julgamento; antes, é responder ao compromisso com a verdade. Não se pode mais negar essa verdade, negligenciá-la nem tergiversar com os fatos. Simoni respondeu exemplarmente ao questionamento, à dúvida que lhe foi colocada sobre qual seria a edição de A gênese a ser observada nas traduções: trata-se da uma das quatro primeiras, que são iguais e foram editadas sob a responsabilidade de Allan Kardec, conforme os documentos. A primeira possui os devidos registros nos órgãos competentes da época, feitos pelo codificador, e as três outras são simples reimpressão da primeira, apesar de serem nomeadas como edições. Portanto, a quinta, publicada em 1872, três anos após a partida de Kardec, revista, modificada e ampliada, não teve a mão nem o bom senso de Kardec.
A posição da Federação Espírita Brasileira precisa ser revista. Assim, também, daqueles que a apoiam
A FEB publicou, recentemente, documento que, em síntese, declara sua decisão de manter a 5ª edição francesa como a orientadora de suas traduções, sob o argumento de que não há provas de que as modificações feitas não foram de Kardec. Ela, com isso, inverte o ônus da prova, ou seja, a prova que se espera desde sempre é de que Kardec foi o autor, e não o contrário. Isso, porém, tornou-se absolutamente impossível, como o demonstra Simoni em seu livro. E mais, há evidências de que o seu autor verdadeiro é Leymarie.
O seminário deste dia 4 de março passado, realizado sob a responsabilidade da USE-SP, uma das federativas ligadas ao CFN da FEB, além de outras três entidades respeitáveis, coloca a FEB em posição altamente delicada, seja porque a USE-SP não só demonstrou cabalmente que está em posição contrária à da FEB, pois não se limitou a promover o seminário, senão também em publicar o livro da Simoni em português. E mais, o seminário acabou por lograr outros aspectos relacionados ao assunto, o que trouxe à tona amplas críticas ao roustainguismo febiano, críticas feitas de público por lideranças até há pouco discretas sobre o assunto, além de uma séria acusação feita por um diretor da USE-SP a respeito da publicação em esperanto de A gênese feita recentemente pela FEB, na qual há a supressão de um texto que aparece em todas as edições anteriores, inclusive a 5ª edição francesa que acaba de ser condenada.
Por outro lado, as tentativas de defesa dessa 5ª edição feitas por espíritas e associações colocam agora todos em posição de referendar ou modificar sua posição. Porém, deverão assumir o ônus do descrédito no caso de referendar, uma vez que com isso estarão colocando-se ao lado de uma edição comprovadamente falsa. Não lhes será possível mais calar ante os novos acontecimentos, mesmo a título de prudência ou coisas do gênero. Agora os fatos estão postos e não podem ser escamoteados, sendo que quaisquer argumentos favoráveis à 5ª edição, que não venham amparados por documentos legítimos não passarão de filigranas, que o sim, sim; não, não se incumbirá de expelir do concerto filosófico do Espiritismo.
Argumentos jurídicos e documentos legais reforçam a posição contrária à 5ª edição
O seminário de São Paulo trouxe à tona outro aspecto da adulteração de A gênese, a questão jurídica e legal, que se desdobra em compromissos de ordem internacional, sob os aspectos do direito moral do autor de livros após a sua morte. O direito moral não se extingue, ou seja, é perpétuo, e por ele se garante a integridade das obras.
O documento pode ser lido aqui e está assinado por dois advogados integrantes da Federação Espírita do Amapá, especialistas no assunto e alinhados à autora Simoni Privato Goidanich, um deles, inclusive, vice-presidente daquela federativa. Trata-se de mais uma posição que, sem dúvida, aumenta o constrangimento à FEB.
Federação Espírita do Estado de São Paulo é lembrada quanto ao caso de adulteração de O evangelho segundo o espiritismo
Herculano Pires foi trazido à tona no episódio que ficou amplamente conhecido nos anos 1970 da publicação pela FEESP de uma tradução adulterada de O evangelho segundo o espiritismo, pela semelhança com o que ocorreu com a 5ª edição de A gênese, de Kardec. Ao fazê-lo, os organizadores do seminário não apenas reforçam sua posição de condenação à adulteração do último livro de Kardec como, também, arrolam na mesma situação de gravidade o que ocorreu quando da tradução de Paulo Alves Godoy na FEESP.
A menção ao episódio não se limitou a mera citação, mas a uma ampla discussão que alcançou um momento solene de homenagem a Herculano pela sua incansável luta e pelos resultados que logrou do ponto de vista da manutenção da integridade da obra de Allan Kardec, homenagem esta feita na presença da filha, Heloisa Pires, que tudo acompanhou de perto no seminário, tendo agradecido pela lembrança e pelo resgate do fato e das lutas do seu pai.
Síntese do seminário é assinada por Antonio Cesar Perri de Carvalho, ex-presidente da FEB
Cesar Perri foi o coordenador do seminário apresentado pela autora Simoni Privato Goidanich e ao final do evento assumiu a tribuna ao lado de, entre outros, a presidente da USE-SP, Julia Nezu. Perri fez a leitura de um consistente resumo do seminário, elencando e apreciando criticamente os fatos apresentados pela autora do livro O legado de Allan Kardec.
Este documento, que pode ser lido aqui, reforça ainda mais a posição de Simoni e tem significativo apoio a ela e ao seu esforço de estudo e pesquisa do tema, agora esclarecido conclusivamente. Em se tratando de um ex-presidente da FEB que assume com clareza inquestionável uma posição contrária à 5ª edição de A gênese, declarando-o de público e, inclusive, solicitando com justiça o alinhamento de todos às conclusões do seminário, não há como negar que a FEB não pode mais fugir do tema nem se manter apegada a um documento comprovadamente adulterado, como o é a 5ª edição francesa de A gênese.
Fropo coloca às claras as relações deterioradas entre Leymarie e madame Amélie Boudet
Um dos grandes argumentos utilizados pelos defensores da tese de que Allan Kardec foi quem autorizou e fez as mudanças contempladas pela 5ª edição francesa de A gênese, é o de que a viúva de Allan Kardec não reclamou em momento algum do sucessor, Leymarie, quanto às referidas mudanças.
O recém-traduzido livro Muita luz, escrito pela amiga e confidente de Amélie Boudet, Berthe Fropo, que a acompanhou até o final da vida de Amélie, coloca luzes não só sobre a posição da viúva de Kardec quanto à condução do legado kardequiano conduzido por Leymarie, como deixa também claro que este colocou a viúva completamente à parte dos acontecimentos que envolviam este legado, num desrespeito àquela que foi a grande companheira do codificador, como, também, a que recebeu o legado como herança dele, confiando-o posteriormente às mãos de outros, indo este parar com Leymarie.
O livro pode ser acessado e copiado na internet e sua leitura se torna de fundamental importância para estudiosos e demais interessados nos fatos históricos e suas relações com a 5ª edição de A gênese.

O Resgate Histórico de A Gênese – Síntese do Seminário de São Paulo

Antonio Cesar Perri de Carvalho (*)


O Seminário “150 anos de A Gênese – O Resgate Histórico”, desenvolvido no dia 4 de março, pela União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo (USE-SP), em parceria com o Centro de Cultura, Documentação e Pesquisa do Espiritismo – Eduardo Carvalho Monteiro, Liga de Pesquisadores do Espiritismo (LIHPE) e Site Autores Clássicos Espíritas, teve como expositora Simoni Privato Goidanich. Esta se reportou às pesquisas contidas no seu livro “El legado de Allan Kardec”, editado em outubro de 2017 na Argentina, e, lançado neste Seminário, em português, editado pela USE-SP e pelo CCDPE.Houve transmissão ao vivo pela Rede Amigo Espírita e por web rádios. A prece de abertura foi proferida por Sandra Moraes (Amazonas) e a de encerramento por Heloísa Pires (SP).
Louvamos a iniciativa da Confederação Espírita Argentina que no ano de 2017 editou A Gênese, de Allan Kardec, traduzida para o espanhol da 1a edição francesa de 1868; apoiou e editou o livro “El legado de Allan Kardec”; e teve a iniciativa de levar o alerta e informações das providências para reunião do Conselho Espírita Internacional, ocorrida em Bogotá em outubro de 2017. Destacamos que Gustavo N. Martínez, presidente da Confederação Espírita Argentina, não podendo comparecer ao evento de São Paulo, encaminhou atenciosa carta para a presidência da USE-SP. O evento foi aberto pela presidente da USE-SP Júlia Nezu Oliveira, seguindo-se a exposição feita pela convidada, o lançamento de O legado de Allan Kardec, em português, e, um painel, com atuação dos representantes das quatro entidades promotoras e perguntas emanadas do plenário, contando com nossa coordenação. Na apresentação de Simoni e no painel vieram à tona fatos sobre as alterações ocorridas na 5ª edição francesa (1872) de A Gênese. Na pesquisa documental da autora fica claro que as alterações do texto publicado por Kardec em La genèse foram feitas na quinta edição, registrada apenas em dezembro de 1872, ou seja, mais de três anos depois da desencarnação do Codificador. As quatro edições registradas por Kardec, datadas de 1868, têm o mesmo conteúdo e são a versão definitiva da obra.1



No livro objeto desse Seminário ficam evidentes as alterações de propósitos da Sociedade Anônima para a Continuação das Obras Espíritas de Allan Kardec, e, também na linha editorial da Revista Espírita. O livro O legado de Allan Kardec reúne informações e documentações sobre as primeiras décadas em seguida à desencarnação de Allan Kardec, sendo um rico repositório da história do movimento espírita francês. Avulta o valor de Amélie Boudet, Léon Denis, Gabriel Delanne e Berthe Fropo. Além da iniciativa pioneira da Argentina, em fevereiro de 2018 foi lançada a versão original de A Gênese, em francês, pelo Movimento Espírita Francofônico. Há providências editoriais correlatas no Uruguai e Colômbia. Em nosso país, com exceção de edição do Centro Espírita Léon Denis, do Rio de Janeiro, todas as edições de A Gênese são traduções da 5ª edição francesa (1872), exatamente a que altera as edições iniciais feitas Kardec. Em nossos dias há informações de que várias editoras brasileiras estariam providenciando traduções das edições francesas (1ª. a 4ª.) de A Gênese.
Fato inusitado no transcorrer do Seminário, foi a informação feita por Fernando Porto, responsável por um Departamento da USE-SP, de que a tradução para o esperanto de A Gênese, lançada pela Editora da FEB no ano de 2003, que, adotando a 5ª. edição francesa (1872), elimina, porém, a última e significativa frase do item 66 do capítulo XV: “ Jesus, pois, teve, como todo homem, um corpo carnal e um corpo fluídico, o que é atestado pelos fenômenos materiais e pelos fenômenos psíquicos que lhe assinalaram a existência.”2,3
Igualmente marcante foi a comunicação do vice-presidente da Federação Espírita do Amapá e membro do Ministério Público Manoel Felipe Menezes da Silva Júnior sobre o texto jurídico de autoria dele e do dr. Auriney Uchoa de Brito, doutor em Direito, professor de Direito e vice-presidente da OAB-Amapá, a propósito de estudos relacionados com direito autoral, direito moral e estudo comparativo com legislação francesa da época de Kardec. Esse Seminário da USE-SP representou um momento criativo e histórico para se comemorar o sesquicentenário de A Gênese, sendo um passo importante para se assegurar a fidedignidade das obras do Codificador. A propósito de alterações e/ou deturpações, não cabem incriminações, mas o compromisso de se restabelecer fatos e textos autênticos. O importante é que surjam edições em português a partir de traduções das edições de A Gênese registradas por Allan Kardec.
Torna-se oportuna a lembrança da obra Na hora do testemunho (Ed. Paideia), uma parceria de Herculano Pires com Chico Xavier, em que se denuncia um triste incidente ocorrido no meio espírita brasileiro: a adulteração de O Evangelho segundo o Espiritismo, levada a efeito por uma editora, em julho de 1974. Destaca Herculano Pires: “O médium Francisco Cândido Xavier, apesar de sua costumeira isenção em polêmicas doutrinárias, acabou manifestando-se contra a adulteração e tomou posição firme e clara na defesa dos textos de Kardec. A maioria dos chamados líderes espíritas não se manifestou. A hora do testemunho provara mal, revelando a falta de convicção da maioria absoluta, e portanto esmagadora, do chamado movimento espírita brasileiro. Mas os resultados foram se manifestando mais tarde, com um crescente interesse do meio espírita pelas obras de Kardec em edições insuspeitas.”4








Após a síntese do Seminário, passamos a realçar o significado de A Gênese para o momento atual, apontando como imprescindível o estudo dessa Obra Básica, não apenas de textos comparativos de edições, mas do significativo conteúdo geral do livro. Com A Gênese completa-se o quinto volume das chamadas Obras Básicas da Codificação. Kardec discorre sobre questões destacadas no subtítulo: os milagres e as predições segundo o Espiritismo; e analisa a Gênese de acordo com as leis da Natureza e a interpretação espírita.
Realçamos a importância do capítulo “Fundamentos da Revelação Espírita”, onde Kardec faz abordagens fundamentais e de onde destacamos a significativa colocação: "[…] o que caracteriza a revelação espírita é que a sua origem é divina, que a iniciativa pertence aos espíritos e que a elaboração é o fruto do trabalho do homem” (Cap. I, item 13).3
Essa afirmação mostra a responsabilidade dos encarnados, notadamente nas condições de liderança, gestão nas instituições e as ações do movimento espírita. O Mundo Espiritual orienta, mas as decisões dependem de nossas escolhas. No livro recém lançado de Simoni Privato Goidanich há o alerta: “A responsabilidade ante o legado de Allan Kardec é de todos os espíritas, e cada um herdará as consequências de seus atos e de suas omissões”.1
É o que ocorre nesse momento quando se manifestam espíritas preocupados com a fidelidade à obra de Kardec e com o movimento espírita.
O Codificador discorre sobre a relação entre Espiritismo e Ciência e realçamos o seu cuidado no tratamento de temas relacionados com as diversas áreas do conhecimento, sem detalhá-los em demasia, fazendo com que sua obra seja atual e não ultrapassada. O antigo professor Rivail, intelectual e inspirado, analisou o desenvolvimento do planeta e da civilização procedendo a uma analogia dos chamados dias bíblicos com os períodos geológicos e de maneira totalmente diferenciada das religiões tradicionais. E comenta a posição da Terra no amplo contexto do Cosmo.
Na Introdução, Kardec comenta é “um complemento das aplicações do Espiritismo, de um ponto de vista especial”. Assim, se em O evangelho segundo o espiritismo o Codificador destacou o ensino moral, em A Gênese ele comenta que “os fatos relatados no Evangelho e que foram até agora considerados miraculosos, pertencem, na sua maioria, à ordem dos fenômenos psíquicos, isto é, os que têm como causa primeira as faculdades e os atributos da alma” (Cap. XV, item 1).3
O perispírito é abordado em vários capítulos do livro, clareando explicações sobre os fenômenos mediúnicos, os chamados “milagres” e as aparições de Jesus, descortinando-se o mundo espiritual. Afirma que “Jesus teve, como todo homem, um corpo carnal” (Cap. XV, item 66)3 e trata da polêmica sobre o desaparecimento do corpo no item 67, eliminado na 5ª. edição francesa.1,3
No capítulo XV aponta: “O maior milagre que Jesus operou, o que verdadeiramente atesta a sua superioridade, foi a revolução que seus ensinos produziram no mundo, malgrado a exiguidade dos seus meios de ação” (item 63).3
A transição planetária é apreciada nos capítulos “As predições segundo o Espiritismo” e “Os tempos são chegados”, e alerta que ainda “falta um imenso progresso a realizar: o de fazerem reinar entre eles a caridade, a fraternidade e a solidariedade, para assegurar o bem-estar moral.” A partir da expectativa dos tempos chegados e de uma era nova, nada mais pertinente do que se estudar o livro A Gênese.
A USE-SP lançou em 1975 a Campanha Comece pelo Começo e agora lança o brado do resgate histórico de A Gênese. No sesquicentenário de A Gênese é o momento de valorizarmos a citada Campanha que enfatiza a necessidade do estudo das obras do Codificador Allan Kardec.
Referências:
1) Goidanich, Simoni Privato. O legado de Allan Kardec. 1.ed. São Paulo: USE/CCDPE. 2018. 447p.
2) http://www.febnet.org.br/ba/file/livro%20em%20esperanto/lagenezo.pdf; acesso em 04/03/2018.
3) Kardec, Allan. Trad. Sêco, Albertina Escudeiro. A gênese. 3.ed. Rio de Janeiro: Ed. CELD. 2010. 488p.
4) Xavier, Francisco Cândido; Pires, José Herculano. Na hora do testemunho. 1. ed. São Paulo: Paidéia. 1974. 120p.

(*) – Coordenador do Painel no Seminário Resgate Histórico de A Gênese. Ex-presidente da USE-SP e da FEB.