PAE - UM RECANTO DE PAZ

UM REDUTO DE PAZ DE "MARIA DOLORES"

terça-feira, 22 de agosto de 2017

UM GRAVE ERRO


Luiz Carlos Formiga

 
Na administração a substituição da ética pela ideologia escraviza. Na educação, objetivando o homem integral os valores éticos devem ser e ter prioridade. Não basta perseguir a meta de formar homens instruídos, se não forem capazes de lutar e vencer seus próprios vícios e paixões.
Um registro em Lucas (16:9) é de entendimento aparentemente difícil, para o leitor desatento aos valores ético-espirituais. Refiro-me ao texto que diz: “granjeai amigos com as riquezas da injustiça, para que, quando estas vos faltarem, vos recebam eles nos tabernáculos eternos.”
Uma leitura superficial daquilo que diz Jesus pode levar a se pensar que o Mestre falava de um ladrão inteligente comprando o favor de advogados venais, de modo a reintegrar-se nos títulos honrosos da convenção humana, comenta Emmanuel. No entanto, sem ética não fazemos amigos, mas cumplices.
Emmanuel (Pão Nosso, 112) diz que “quando Jesus fala em amigos, refere-se a irmãos sinceros e devotados, e, quando menciona as riquezas da injustiça, inclui o passado total da criatura, com todas as lições dolorosas que o caracterizam. Assim também, quando se reporta aos tabernáculos eternos, não os localiza em paços celestiais”.
Este espírito identifica como tabernáculo sagrado o coração do homem e como amigos, aqueles que “na qualidade de discípulos mais dedicados e enobrecidos que nós, nos auxiliarão, acolhendo-nos em seus corações, convertidos em tabernáculos do Senhor. São eles que no ajudarão a obter novas possibilidades de reajustamento.”
Psiquiatras dizem que três comportamentos somam para uma boa saúde mental: possuir tempo regular para recolhimento interior, para oração, reflexão ou meditação;  fazer estudo de um material religioso e/ou espiritual e investir em amigos que possuem aspirações em termos de objetivos espirituais e / ou religiosos.
Trocar a ética pela ideologia é um grande erro, mesmo que pense na construção do belo e do bem. O indivíduo cria a ideologia, e depois acaba tendo que encaixar os fatos da realidade numa versão onde transforma cumplices em heróis.
No DNA da ideologia está o preconceito, como o do prêmio Nobel de medicina.
O professor britânico declarou durante uma Conferência, que o problema de trabalhar com mulheres no mesmo laboratório era que “você se apaixona por elas, e elas se apaixonam por você. Quando você as critica, elas choram”. Ele defendeu a ideia de laboratórios unisex, onde os homens não seriam distraídos pelo sexo oposto.
Diz uma professora universitária que “apesar dos inegáveis avanços na promoção da igualdade de gênero, sabemos que a participação de mulheres no campo da ciência continua sendo minoritária.” Enfatizou que no Brasil é muito importante o “Programa Internacional Para Mulheres na Ciência (L´Oreal-UNESCO), que desde 1998 concede bolsas e dá prêmios a mulheres cientistas (inclusive no Brasil), para ajudar a reverter essa situação de desigualdade”.(1)
Mulheres sofrem preconceito, mas foram acolhidas por Jesus e convidadas a colaborar, no inicio da implantação da Boa Nova.
Recentemente, um filme que estreou no Brasil em fevereiro de 2017, conta as histórias de mulheres, cujo esforço foi essencial para que os Estados Unidos dessem início à corrida espacial. Dirigido por Theodore Melfi, o longa acompanha a trajetória das matemáticas Katherine Johnson, Dorothy Vaughan e Mary Jackson, que além de enfrentarem resistência por serem mulheres, tiveram que trabalhar ainda mais para serem notadas por serem negras. (2)
A intolerância no mundo tem levado a momentos de grande tristeza. Podemos demonstrar nossa solidariedade, através da WEB, aos que estão passando por dores extenuantes em Barcelona. (3) Nesse “rincon” se diz que a morte não existe, mas existe a dor pelas ausências inesperadas. Nele pedimos a Deus que, em sua infinita misericórdia, siga iluminando a todas as criaturas que passam por provas tão dolorosas e que acolha no seu seio a todos os irmãos. Lembra-nos Francisco de Assis quando pede que sejamos instrumentos da paz, mesmo que estejamos na condição de arvore ferida, apedrejada por produzir muitos frutos.
Morrendo é que se vive para a vida eterna e aí é muito triste, quando nos descobrimos como algoz.
Rogamos pelas vítimas e pelos terroristas, que certamente não sabem o que semearam e que ainda serão seus próprios herdeiros. A colheita é obrigatória, até o último ceitil.
Muitos estão dopados, com a mente em desalinho, enlouquecidos pela ideologia, a droga que subjuga e faz abandonar a ética.  
Os escravizados desta forma e os “homens de um livro só” (*) me fazem lembrar Mario Quintana no seu “Poeminho do Contra”, quando se vinga dizendo: “todos esses que aí estão, atravancando meu caminho,  eles passarão...  eu passarinho!
Precisamos educar para a aceitação da diferença. Lulu Santos diz que “os garotos na escola estavam sempre a fim de jogar bola e ele queria tocar guitarra na TV. “
Eu não queria ser jogador de futebol nem artista. Sonhava, e quase consegui, ser cientista. “Que seja assim, enquanto é”.
O Rincon Espírita com sua solidariedade diante das vítimas diretas e indiretas da tragédia deste ano em Barcelona, faz sentir a necessidade de conquistar amigos verdadeiros, como registrado por Lucas, discutido por Emmanuel em Pão Nosso.

No Rock in Rio, 1985, esse amigo de valor é cantado, de maneira inesquecível, por  James Taylor.

Muito significativo, para quem tem Jesus como modelo e Guia, é o verso que diz: “seja Inverno, primavera, verão ou outono, tudo o que você precisa fazer é chamar e eu estarei aí com você. Você tem um amigo”

(*) Este livro é sobre o fundamentalismo afetando a vida de todos. Embora não seja fenômeno recente, ele hoje ganha maior visibilidade. Comenta a transformação da mensagem de paz em sectarismo e intolerância, para que possa atender interesses puramente políticos.

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