PAE - UM RECANTO DE PAZ

UM REDUTO DE PAZ DE "MARIA DOLORES"

sábado, 17 de outubro de 2015

ENTREVISTA COM PROF. ANTONIO CÉSAR PERRI DE CARVALHO

ENTREVISTA COM PROF. ANTONIO CÉSAR PERRI DE CARVALHO

BOTUCATU, 22-09-2015


Antonio César Perri de Carvalho

Perguntas ao Prof. Antonio César Perri de Carvalho - ex presidente da USE-SP e da FEB; atual membro do Conselho Superior da FEB - Brasília-DF – e membro da Comissão Executiva do Conselho Espírita Internacional, quando esteve em visita à Botucatu-SP, na UNESP - Instituto de Biologia - pelo PROGRAD/UNESP, em 22-09-15:


Jornal "O Caminho da Luz":

A comunidade espírita botucatuense, hoje bastante ampliada, é muito grata pelo seu empenho desde sua atuação no Movimento de Unificação em Araçatuba-SP, depois na capital paulista e agora em Brasilia-DF. Como o confrade descreve os progressos do movimento espírita brasileiro?

Perri – O movimento espírita brasileiro tem e crescido quantitativa e qualitativamente. Atualmente são aproximadamente 14 mil centros no país. De acordo com dados do Censo de 2010, em percentual, os espíritas cresceram significativamente em comparação com o Censo do ano 2000. O importante é o belo e produtivo trabalho que é efetivado junto às comunidades em todas as regiões do país..

Suas passagens por Botucatu-SP na década de 1980-90, sempre junto com sua equipe de trabalho ( sua esposa Célia, confrade Nestor Masotti, seu irmão Dr. Paulo, prof. Madeira e outros) deixaram inesquecível lembrança entre nós. Quais as espectativas do orgão diretivo nacional ( FEB ) quanto à expansão do Movimento Espírita Nacional e Internacional?

Perri – Em nossa trajetória de vida e de movimento espírita tivemos a felicidade de conviver com grandes companheiros e contar com o apoio e participação da esposa. E atuamos em todos os níveis, desde os momentos iniciais na mocidade e no centro espírita. Nos últimos 15 anos houve atuação decisiva do Conselho Federativo Nacional da FEB e do Conselho Espírita Internacional. Documentos de trabalho importantes e muito úteis foram elaborados de forma coletiva. Nossa expectativa é o aprofundamento desta linha de trabalho para cada vez mais se atuar de forma participativa e envolvente com os centros, que são a base do movimento espírita.

Temos acompanhado seus artigos na Revista Internacional do Espiritismo ( RIE- Matão-SP ) e gostaríamos de saber sua opinião em relação à expectativa de outras nações sobre o papel esperado do Brasil no que diz respeito à acolhida de imigrantes aqui.

Perri – Em nossa atuação junto ao CEI e visitas e atuações em dezenas países, sempre sentimos uma grande expectativa na relação respeitosa e participativa do movimento espírita brasileiro. Numa ótica ampliada de solidariedade e de fraternidade, cremos que o Brasil deve sempre abrir os braços e acolher os imigrantes.

Recentemente, este Jornal e a RIE publicaram matéria sobre 'Centro Espírita em tempo integral'. Foi sugerido que a casa espírita não cerrasse as portas e mantivesse atividade permanente de acolhida e difusão ( ou escola ). O que o senhor acha da ideia?

Perri – Concordamos plenamente com a idéia e conhecemos alguns centros, em várias partes do país, que já atuam durante todo o dia. Inclusive, abrem oportunidades a trabalhadores, que às vezes, somente podem ir ao centro logo cedo, antes do trabalho, e a idosos – faixa etária que cresce -, e que naturalmente têm mais dificuldade de freqüentar o centro à noite. É uma questão de se preparar equipes para a atuação ao longo do dia.

A FEB está na capital federal - centro político nacional. O senhor recomenda a atuação política dos espíritas?

Perri – O Conselho Federativo Nacional da FEB aprovou já para dois qüinqüênios, desde 2007, o “Plano de Trabalho para o Movimento Espírita Brasileiro”, a diretriz “Participação na sociedade”. As atuações em defesa da vida, na assistência e promoção social, na prevenção de desequilíbrios pessoais, de saúde e no âmbito social, a em participação em conselhos municipais previstos na Constituição, são atuações políticas. Há diferença entre atuação política – no sentido vasto -, e de atuação político-partidária. Esta última é uma opção pessoal, mas com o cuidado de não se mesclar com o movimento espírita.

Na Faculdade de Medicina de Botucatu-UNESP, um grupo de jovens espíritas ( profissionais e estudantes ) propôs um programa de estudos ( 1990 ) que resultou em Projeto de Extensão Universitária ( aprovado pela Reitoria ) denominado "SAÚDE E ESPIRITUALIDADE". Realizou neste ano o seu XII Congresso. Está sendo proposta à FMB a inclusão de Disciplina curricular com o mesmo nome. Como o senhor vê essas iniciativas? 

Perri – Com entusiasmo e boa expectativa. Temos conhecimento de algo semelhante ocorrendo em universidades estrangeiras. Nos EUA há vários grupos de pesquisa universitários analisando a relação da religiosidade, saúde, e expectativa de vida. Conhecemos pessoalmente em evento da A.M.E. nos EUA, o prof. Harold Koenig, que realiza pesquisas nesta área. Afinal, saúde não é a resultante de um equilíbrio bio, psíquico e social?

Em 2014 fundamos aqui em Botucatu a Associação Médico Espírita e, em 2015, ela desenvolve trabalho de pesquisa aprovado pela Comissão de Ética da FMB-UNESP, sobre "Ação do passe espírita na ansiedade". Qual a opinião do Conselho Federativo da FEB sobre essas iniciativas no campo médico?

Perri – Daremos nossa opinião pessoal, favorável plenamente à idéia. No período em que fomos presidente da FEB, autorizamos que a Associação Médico Espírita do Brasil e a do Distrito Federal, a utilizarem a sede da FEB, em Brasil, para o atendimento de projeto similar. E implantamos o Conselho Nacional da Entidades Especializadas da FEB, o ilustra o apoio e interesse que temos com tais Entidades, como a A.M.E. Brasil.

Temos acompanhado inúmeras manifestações em torno da chamada 'data limite' ( Chico Xavier- Pinga-Fogo, 1972 ). Qual a abordagem recomendada sobre o assunto tão polêmico?

Perri – Entendo que não devemos ficar presos a interpretações superficiais de palavras de Chico Xavier. Precisamos aproveitar o exemplo dele, de trabalho e dedicação incessante para a renovação interior e de produtiva interação para com o próximo, e, no limite de nossas forças e de nosso tempo. Cada um deve fazer sua parte na etapa de transição em que vivemos. É o papel do Espiritismo como o “Consolador Prometido” pelo Cristo.

Que o senhor pensa sobre a educação infantil e espiritualidade? A técnica de meditação pode ajudar?

Perri- A criança deve ser compreendida como ser integral desde cedo. Já temos conhecimento de adoção dessas técnicas, de forma adequada, à infância. Vivemos em uma época que não cabem mais os “engessamentos” programáticos e metodológicos. As escolas formais já caminham de forma diferente há algum tempo, desde as premissas da UNESCO para a educação, de 1998; as idéias de Edgard Morin que marcaram aquele período, e, a própria Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira, de 1996.

Quais os encaminhamentos da FEB ou suas idéias para a atualidade brasileira?

Perri – Ratificamos o que já dissemos em outra questão, e enfatizamos que é necessária a colocação em prática das diretrizes do “Plano de Trabalho para o Movimento Espírita Brasileiro (2012-2017)”, elaborado, discutido, e aprovado pelo Conselho Federativo Nacional da FEB, que é integrado pelas Entidades Federativas Estaduais do país. As oito diretrizes devem subsidiar e fundamentar planos de ação locais e regionais, a serem elaborados em cada ambiente, de acordo com as diferentes necessidades e demandas das localidades. Particularmente, e entendendo que em coerência com o citado ”Plano”, estamos preocupados e agindo no sentido de se refletir sobre a simplicidade que deve caracterizar nossa atuação para, efetivamente, atingirmos a maior parcela de nossa população, levando-se em consideração a chamada “pirâmide social”. Relacionada com esta linha de atuação está o nosso foco com a divulgação do Evangelho à luz do Espiritismo, incluindo o estímulo ao estudo e a difusão de “O Evangelho segundo o Espiritismo”. Constatamos que esta obra básica de Kardec, com raras exceções, vem sendo utilizada para leituras preparatórias e em algumas citações em palestras. Precisamos nos alinhar – na prática – com a grande proposta do “Consolador Prometido”. Vale a pena relermos e meditarmos sobre o conteúdo das partes introdutórias dessa obra do Codificador: a mensagem do Espírito de Verdade e as considerações de Kardec.


(*) Fonte: Jornal "O Caminho da Luz"