PAE - UM RECANTO DE PAZ

UM REDUTO DE PAZ DE "MARIA DOLORES"

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Deus será um eterno ignoto na Vida



José Sola
A concepção de uma inteligência que transcende a inteligência humana remonta os milênios, é uma crença generalizada em todos os povos da terra, e não podemos negar seja uma crença nata, crença esta que se manifesta mesmo nas mentes ainda primitivas, ou seja, dos selvagens.

E esta crença é nata, pelo fato de nos demorarmos imantados a Deus, preexistimos Nele, Nele nos movemos, em outras palavras, nossa vida deriva de sua vida, e se herdamos Deste todos os seus atributos divinos; como não herdar também, a concepção da fonte de que deriváramos? 

Com o decorrer da maturação das potenciações que trazemos em latência no núcleo da alma, ou seja, no inconsciente puro, vamos através da apreciação da vida, nos apercebendo de que esta nos apresenta manifestações inteligentes, e passamos a entender de que existe uma inteligência suprema atuante na vida do universo.

Mas enquanto temos apenas olhos para apreciar os fenômenos inteligentes, apenas os visualizamos, mas não o sentimos, e se não amarmos os fenômenos que nos cercam, não teremos como aprecia-los em sua essência plena, e muito menos como descobrir lhes a causa, pois o amor supremo de Deus se manifesta nesses fenômenos, e só responde ao espirito eterno através do amor.

E isto vemos acontecer com muitos homens de ciência. Apercebem-se da existência de uma inteligência a interagir nos infinitos fenômenos que se manifestam na vida, entretanto, a observação dos mesmos é periférica, isto é, só observam a configuração, não desenvolveram a visão da sensibilidade, e esta só se desenvolve com o maturar do amor. 

E é por esta razão que se demoram ainda, e demorar-se-ão por muitos séculos, no campo da analise, catalogando efeitos na tentativa de descobrirem a causa, e lógico este é ainda o processo correto, não vai aqui nenhuma censura, e podemos mesmo afirmar que é este o método correto que a ciência deve utilizar.

Mas não devemos nos esquecer de que houveram cientistas, e os há ainda hoje, cujos espíritos já haviam amadurecido infinitamente mais, e não se demoraram buscando as causa pelo método da analise e da pesquisa, apresentaram a causa, e os efeitos mais tarde corroboraram a mesma.

Einstein é um dos maiores exemplos do que afirmo, apresentou a lei da relatividade através do método intuitivo, - esta descoberta modificou por completo os conceitos da física - os físicos não aceitaram a teoria da relatividade, entretanto vinte e cinco anos após, descobriram que a pedra de radio exteriorizava energia, e a teoria de Einstein foi reconhecida.

Tivemos Demócrito, o cientista grego, que 400 anos antes de Cristo, sem o auxilio do microscópio descobriu o átomo, o matemático Descartes que em 1625 descobriu o elétron, isto 300 anos antes da comprovação empírica da existência do mesmo, Newton que descobriu a lei da gravidade, e muitos outros cientistas. 

E outros mais recentes, dentre estes Amit Goswami, vive nos Estados Unidos, é PHD em física quântica, e está há mais de quinze anos envolvido em estudos que buscam construir um ponto de união entre a física quântica e a espiritualidade. 

Em seu livro “O Universo Autoconsciente”, ele procura provar matematicamente que o universo sem a existência de um conjunto superior, que tem como fonte de manifestação Deus, seria inconsciente, pois Deus é a consciência cósmica do universo.

Vemos que Amit Goswami está tentando provar através dos efeitos, uma causa que ele já descobriu, e apresenta como álibi uma lógica irrefutável, o universo sem a manifestação de Deus, seria inconsciente, pois a inteligência do Eterno imanta toda a vida do universo.

Este cientista é tido como místico por seus colegas de cátedra, e esta é uma inversão de valores absurda, Amit Goswami não esta crendo numa possibilidade, pois a vida inteligente a manifestar-se de Deus é um fato, entendo como místico aquele que acredita em algo insustentável, algo que não se corrobore, entretanto a vida inteligente se patenteia aos olhos dos cientistas, há todos os instantes. 

E me questionareis, mas existem muitas descobertas realizadas por cientistas, que não aceitam Deus, não acreditam em uma inteligência suprema, e entendem mesmo que este fenômeno seja a resultante de uma casualidade; como equalizar este fato a premissa que está sendo apresentada?

Realmente muitos cientistas não aceitam uma inteligência suprema na manifestação destes fenômenos, mas não podemos nos esquecer de que o mesmos não deixam de amar o fenômeno, manifestando um desejo forte de descobri-lo, e embora este amor seja ainda embrionário, não deixa de ser uma modalidade do amor, que responde ao momento evolutivo deste cientista.

Não nos esquecendo ainda de que desde os reinos inferiores da natureza, o mecanismo da evolução, vem maturando as potenciações infinitas do eu eterno, e para isto não aguarda a aprovação da ciência, mas impulsiona-a manifestando um determinismo absoluto, evoluir. 

No momento evolutivo em que nos demoramos ainda em humanidade, as ciências que mais tem evoluído são as ciências utilitárias, e estas fazem parte da evolução do ser. Pois estas ciências vão acompanhar a evolução do espirito na eternidade, como já o pudemos ver o espirito necessitará de habitats, e de aparatos, que lhes possibilite fazer sua caminhada ascensional na eternidade da vida.

Na questão 22 do ”Livro dos Espíritos” Kardec nos informou no ano de 1857 de que existe matéria em outra dimensão, e isto foi uma revelação, pois a ciência nesta época sequer cogitava de mensurar os corpúsculos atômicos, vejamos. 

“Define-se geralmente a matéria como aquilo que tem extensão, pode impressionar os sentidos e é impenetrável. Essa definição é exata?

R. Do vosso ponto de vista, sim, porque só falais daquilo que conheceis. 

Mas a matéria existe em estados que não percebeis. Ela pode ser, por exemplo, tão etérea e sutil que não produza nenhuma impressão nos vossos sentidos: entretanto, será sempre matéria, embora não o seja para vós”.

Nesta resposta a Kardec o Espirito da Verdade informa de que existe matéria em outra dimensão, e a física corroborou estas palavras quando mensurou o elétron, o próton, o nêutron, e os neutrinos. Não me demorarei apresentando os dados que mensuram estes corpúsculos, pois já os tenho reproduzido em outros textos.

E a matéria em outra dimensão se manifesta na eternidade, será sempre matéria embora para nós não o seja conforme nos disse Kardec, e estas palavras são confirmadas também pela física, quando nos informa de que o átomo, permite ser dividido ao infinito.

E outra informação importante apresentada pela física, é de que os átomos quando desmontados em seus núcleos, - digo desmontado, pois o átomo não se estraçalha no momento da explosão, ele se desmonta - como no caso da energia nuclear, guarda a tendência de reagrupar-se, e esta tendência o individualiza, deixando evidente de que este possui uma vontade, e isto é uma das forças que se manifestão no psiquismo do mesmo.

Enquanto não acontecer a maturação do átomo, as partículas atomísticas tenderão sempre a reagrupar-se, entretanto após um processo longo de maturação estas partículas se liberam do átomo inteiro que são os átomos de peso atômico do Hidrogênio ao uranio.

Ao transpor este momento evolutivo, as partículas desses átomos se liberam e continuam ainda a existir na condição de átomos, como por exemplo, os elétrons, os prótons, os mésons, os neutrinos, e outros que ainda nos escapa a percepção, a partir de então estas partículas do átomo, se manifestam como partículas livres.

Deixando de viver a necessidade de reagrupar-se, se esta vontade de reagrupar-se persistisse, não aconteceria a matéria em outra dimensão, pois esta só acontece elaborada por partículas atomísticas.

Se essas partículas continuassem a viver a necessidade de reagruparem-se a matéria em outra dimensão seria instável, e a evolução seria impraticável, pois a tendência de reagrupar os elementos dispersos do átomo, logicamente que impediriam a divisão dessas partículas ao infinito.

E a física já nos informou de que o átomo se divide ao infinito, e também já estamos informados de que quanto mais evoluídos sejam os espíritos carecem de habitats, e aparatos elaborados com matéria sempre mais sutil, mais rarefeita, mais diáfana. E que a elaboração dessa matéria requer partículas atômicas sempre menores, e isto ao infinito, pois a evolução vai ao infinito. E estes raciocínios nos levam a concluir, de que essa necessidade de reagruparem-se os átomos, atende ao momento evolutivo em que nos demoramos. 

Lembramos aos estudiosos de que em o livro de Ivone Pereira, “Devassando o Invisível” encontramos muitas informações que corroboram o que estamos a informar.

Sabemos de que quanto mais evoluído for o espirito, necessitará de matéria mais rarefeita, mais sutil, mais diáfana no sentido de atender-lhe as necessidades da evolução.

E já vimos também de que a evolução não acontece unicamente com o espirito, evoluem ainda o corpo energético, o psiquismo, e a matéria, numa unicidade absoluta, pois estes quatro elementos estão em simbiose infinita, nós os separamos para estuda-los, entretanto eles se manifestam num único e mesmo momento.

Esta lógica nos leva a entender de que em nossa evolução na eternidade, requeremos habitats, tanto quanto aparatos mais complexos, e estes só podem existir em mundos mais rarefeitos, mundos em outras dimensões vibracionais, pois em nosso momento evolutivo essa condição dimensional, ainda nos é um ignoto.

Compreendendo que o universo é eterno, e que Deus é absoluto no mesmo, isto é, é a Vida do universo, somos levados a concluir de que se o espirito, o corpo energético, o psiquismo, e a matéria, estão contidos em Deus, e necessitam de condições dimensionais mais elevadas; se todos esses elementos evoluem em suas condições vibracionais ao infinito, somos levados a deduzir de que o universo também. 

As modalidades do universo que nos responde a necessidade evolutiva são estático, dinâmico, e mecânico, este é o momento dimensional de nosso universo. Entretanto somos levados a crer que com a evolução do espírito, do psiquismo, do corpo energético, e da matéria, elementos estes que estão contidos no universo, o universo também se mature.

Lógico de que a maturação do universo, não implica em acréscimo de fenômenos, mas de expansão dos mesmos, pois o universo é um eterno vir a ser, onde nada se cria, mas tudo se modifica e se transforma, entretanto tudo está contido em Deus num absoluto completo.

E importa ainda lembrar de que embora o mecanismo da evolução seja implacável e não legue nenhum elemento a estagnação, de que tudo absolutamente tudo, é impulsionado a maturação por esse mecanismo inexorável, o universo reproduz de forma ininterrupta os momentos que representam a vida, em sua fase embrionária.

E a apreciação desta fase nós só a podemos observar a partir da maturação da substância quando inicia sua romagem em busca da individualidade, através da evolução anímica, entretanto já preexistimos no amago dessa substância desde toda a eternidade, não o fosse e não seriamos eternos, haveríamos sido criados para a eternidade.

Entendo que eterno é Deus, o universo, ou qualquer elemento, que exista desde a eternidade e para a eternidade, mas algo que fosse criado, embora viesse a preexistir para a eternidade, não seria eterno.

Mas com certeza nós somos eternos, pois nos demorávamos contidos na substância divina, que é o Plasma do Criador. E lembramos ainda de que a Fonte da Vida é inesgotável, pois no momento evolutivo em que nos demoramos podemos apreciar a Vida a fluir dessa substância e isto aconteceu, acontece e acontecerá por toda a eternidade, pois a fonte é infinita, é eterna.

A fonte de manifestação da vida é absoluta é infinita na eternidade, pois enquanto temos momentos de vida que nos escapa a concepção na evolução já conquistada, esta fonte continua manifestando a vida, em seu momento embrionário, através da maturação da substância, ingressando como psiquismo no reino do minério; e este fenômeno acontece ininterruptamente na eternidade. 

Não se manifestasse a vida como um eterno vir a ser, e não teríamos condições de rever os momentos que nos propiciaram o protótipo que percorrendo os reinos inferiores da natureza estariam atingindo a condição de obra prima do Criador, o homem. 

Importa, entretanto lembrar de que a vida, no seu contexto completo, jamais volve as suas origens, no que concerne ao espírito, tanto quanto aos demais elementos que acompanham o mesmo em sua evolução na eternidade, não estaremos regredindo jamais, em palavras mais claras, perdendo a individualidade adquirida, - esta é a concepção panteísta - pois o mecanismo da evolução é eterno. 

Com isto não pretendo dizer de que quando atingimos a individualidade nos dissociamos da vida de Deus, isto não acontece, embora individualizados para a eternidade, estaremos eternamente imantados a fonte, pois em Deus vivemos, em Deus existimos. 

Então somos levados a concluir, de que se o universo em seu momento dimensional de ser, não acompanhasse o desenvolvimento maturativo dos demais elementos, se tornaria repetitivo e não responderia ao mecanismo da evolução. 

E esta concepção nos leva a concluir de que o universo em seu processo de maturação manifesta infinitos momentos dimensionais diferenciados, pois se todos os elementos que constituem a vida do mesmo, em seu processo evolutivo transpõem as faixas dimensionais, é natural que se o universo não vivesse este processo maturativo, num determinado momento a evolução seria cerceada. E pelo que nós apreendemos no espiritismo, a evolução vai ao infinito na eternidade, não existe um ápice em que nada mais tenhamos a descobrir, a pesquisar. 

E como já vimos em textos anteriores, as diferentes condições vibracionais, acontecem ao infinito, ocupando um mesmo espaço tempo, e no intento de explicitar essa possibilidade, informamos de que o homem coexiste vivendo três momentos dimensionais diferentes, espirito, períspirito, e matéria.

Apresentamos ainda as ondas sonoras, ondas hertzianas, ondas eletro magnéticas, ondas luminosas, pois estas ocupam um mesmo espaço, se cruzam, mas não se confundem, permanecem individualizadas. E para entendermos melhor esta especificidade, lembro de que as ondas luminosas provenientes do sol envolvem toda a terra, se cruzam com todas as demais ondas que existem no planeta, entretanto permanecem individualizadas. 

E com as infinitas condições vibracionais diferenciadas não difere, estão todas elas acontecendo num único e mesmo momento, sem que nossos sentidos possam apreciar. Só poderemos apreciar uma condição vibracional mais elevada, e me refiro a evolução psíquica, quando houvermos suplantado todos os conhecimentos relativos a dimensão vibracional em que nos demoramos.

Mas importa lembrarmos de que neste processo de maturação de todos os elementos constitutivos do universo, inclusive do mesmo, não acontece outra coisa que não, o maturar da substância que contém a vida em seu amplexo pleno no absoluto. Não esta acontecendo algo novo, ou seja, as infinitas modalidades de ser do universo já estão contidas no Fluido Universal, (substância) que se manifesta de Deus na vida, num absoluto. Para nós são ignotos que estaremos a descobrir de futuro, mas para Deus é apenas Sua Vida a manifestar-se.

O que estamos explicitando neste texto corrobora o questionamento de Kardec ao Espirito da Verdade e a resposta deste, vejamos:

37. O universo foi criado ou existe desde toda a eternidade como Deus?

- Ele não pode ter sido feito por si mesmo; e se existisse de toda a eternidade como Deus, não poderia ser obra de Deus.

A razão nos diz que o universo não poderia fazer-se a si mesmo, e que, não podendo ser obra do acaso, deve ser obra de Deus.

Já afirmamos isto em o texto “Nós Somos deuses”, mas importa reforça-lo; Deus criou, cria, e criará o universo na eternidade, pois o mesmo é um eterno vir a ser.

No processo de maturação ao infinito, Ele está constantemente criando, pois é através da maturação da substância que na eternidade vão se manifestando ignotos, novos momentos de ser do universo, e isto é criação, é obra de Deus.

Alguns ortodoxos poderão dizer que a minha concepção de Deus distancia a criatura de seu Criador, entretanto isto não é verdade, pois eu enfatizo de que somos vidas derivadas de Deus, preexistimos e vivemos Nele, desde a eternidade para toda a eternidade, repetindo com Kardec nós somos uma centelha divina do Criador.

Eu estou apenas tentando deixar claro de que Deus será eternamente um ignoto na vida, pois a evolução vai ao infinito, e neste infinito evolutivo, encontraremos sempre novos fenômenos a nos aguardar, mas o mais maravilhoso e que este eterno vir a ser do universo, esta contido em Deus no absoluto.

Então aquele Deus antropomórfico, vivido pelas religiões, aquele Soberano sentado em um trono com seu cetro na mão, ou aquele Criador que cria com mãos e mente, diante da analise que apresento sobre Deus, perdem a razão de ser, pois não se sustentam pela logica, pela razão, e o bom senso. 

Acredito que o que apresento sobre o Ser supremo do universo, explicita melhor o que significa absoluto, pois afirmamos de que Deus é absoluto, mas o limitamos a nossa capacidade conceptiva de momento.

E como não posso defini-Lo e jamais alguém o poderá, paro e inserido nesta Vida de que faço parte, apreciando todas as inteligências, todas as belezas, e esplendores que me rodeiam como um ponto observando outros pontos do universo encerro este texto, afirmando simplesmente, obrigado Senhor por existir. 

Sola