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Pós-positivismo: uma realidade científica que aproxima do Espiritismo

Vladimir Alexei

Pós-positivismo: uma realidade científica que aproxima do Espiritismo
Vladimir Alexei
Belo Horizonte das Minas Gerais,
12 de agosto de 2018.

Allan Kardec teve como contemporâneo um filósofo que influenciou – e ainda influencia –, o pensamento científico: Augusto Comte (1798-1857).
Para Comte, o conhecimento científico é a única forma de conhecimento verdadeiro. Seu modelo filosófico seguiu duas orientações: científica e psicológica. Essa, classificada por alguns autores como uma linha teórica da sociologia que investiga a natureza humana “verificável”.
É no “verificável” que o pós-positivismo atua. Não é nosso objetivo descrever métodos e concepções filosóficas ou científicas, mas apenas enuncia-las – no muito –, propondo uma conexão, como diria Vigotski em seu “zona de desenvolvimento próximo”, entre os saberes atual e futuro. O conhecimento atual, doutrinário, parte de uma ciência que é tratada de forma religiosa e filosófica em função de sua extensão e profundidade, sugerindo vários níveis de abordagem. Ainda que a abordagem seja construída sob o aspecto religioso, ela não deixa de ter métodos claros, como pode ser observado em o Evangelho Segundo o Espiritismo, quando Allan Kardec divide o estudo do Evangelho em cinco pontos (geral), tratando o aspecto considerado mais importante: moral (específico). Podemos discordar, criticar, mas jamais negar seu aspecto científico, clareza e coerência.
As suposições pós-positivistas (CRESWELL, 2009), desafiam a ideia da verdade absoluta do conhecimento quando se estuda o comportamento humano. A afirmativa parece óbvia, principalmente para aqueles que já estão afeitos ao estudo doutrinário. Porém, do ponto de vista científico, se você não consegue comprovar com as ferramentas materiais, não tem valor científico.
O pensamento pós-positivista, ainda segundo Creswell (2009), defende a ideia em que as causas provavelmente determinam os efeitos ou resultados. Lei Universal de Causa e Efeito explicada por Allan Kardec. Entretanto, essas causas ainda são buscadas, nas pesquisas “quantitativas”, com os elementos prováveis, ou seja, materiais. Todavia, já é um avanço permitir que pesquisas “qualitativas” tratem hipóteses que transcendam o “verificável” do ponto de vista material, para questões vinculadas às manifestações e presenças dos espíritos em nossas vidas, já que, de “ordinário”, são eles que nos dirigem (item 459 de O Livro dos Espíritos).
Qual a relevância do pensamento pós-positivista, já que sua abordagem ainda ocorre sob o ponto de vista material? A relevância está em entendermos que, para estudos voltados ao “comportamento” do indivíduo, na ciência de hoje, é possível formular problemas de pesquisa, hipóteses e inferir em questões cuja “causa” não é mais desconhecida e sim pode ser atribuída aos espíritos. É a ciência avançando rumo à ciência do espírito. Por isso a importância do pensamento doutrinário como processo educativo: quanto melhor estudamos a doutrina espírita, mais moldamos o pensamento com a clareza do conteúdo trazido pelos espíritos. Em termos práticos, estudar o espiritismo auxilia contra depressão, tristeza, raiva, angústias e pensamentos negativos porque auxilia na transformação do pensamento, de forma estruturada e duradoura, ainda que o assédio do pensamento antigo seja uma realidade a ser combatida diariamente.
A ciência espírita está a serviço do indivíduo, auxiliando nossa compreensão quanto a importância de se estudar a doutrina espírita e não apenas fragmentos de pensamentos de terceiros, cujo conteúdo nem sempre reflete a riqueza doutrinária. É preciso saber estudar. Enquanto muitos questionam se a ciência espírita encerra todos os ensinamentos, somos convidados pela própria doutrina à transversalidade do seu conteúdo, para que tenhamos habilidade de aplicar, no dia a dia, o que eleva a alma, em um orbe de provas e expiações.
Por fim, percebe-se que a ciência, ainda que muito materialista, com cientistas preconceituosos e dogmáticos, caminha, de forma estruturada, ao seu aprimoramento, ao passo que a ciência espírita esbarra ainda em um religiosismo exterior que limita sua compreensão ao conhecimento de seus profitentes, que insistem em práticas exteriores que não contribuem para o aperfeiçoamento do espírito.
Referência
CRESWELL, J.W. Projeto de Pesquisa – métodos qualitativo, quantitativo e misto. Reimpressão 2016. Ed.2009. ARTMED: Porto Alegre – RS.