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Jorge Hessen |
Jorge Hessen
jorgehessen@gmail.com
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Um belo dia, assisti a um
vídeo (documentário) sobre as atividades de certa instituição espírita dirigida
rigorosamente sob os preceitos da coerência doutrinária. Entretanto, no que
pese o admirável trabalho assistencial efetivado por essa instituição, ela o
realiza em sociedade (parceria) com outro “centro espírita”, que é administrado
sem discernimentos e integral inobservância
dos princípios kardecianos.
Eis aí o nó da questão!
Para meu espanto, notei no
vídeo que alguns trabalhadores do segundo centro espírita estavam trajados com
camisetas brancas à guisa de uniformes e coruscantes manifestações de
idolatrias ao “médium” protagonista que “incorpora” “doutores do além” e/ou
“espíritos curadores”.
No documentário ainda percebi cenas
em que são exibidas substâncias acondicionadas
em diversas garrafas, supostamente
contendo “remédios” prescritos por orientações de “pretos velhos”. Com
obviedade estranhei sobre tal prática, considerando que o documentário foi
exibido numa instituição de orientação genuinamente kardeciana. Por isso,
deliberei escrever aqui sobre as inconsistências da segunda instituição.
São raros, ainda, as instituições
espíritas que se podem entregar à prática mediúnica, com plena consciência da
tarefa que têm em mãos, deste modo, é aconselhável e prudente, a intensificação
das reuniões de estudos sérios das obras de Kardec , a fim de que os
trabalhadores de boa vontade não venham
a cair no desânimo ou na inércia, por causa de um antecipado e imaturo comércio
com as energias do plano invisível.
Creio que os médiuns são
úteis, mas não indispensáveis numa casa espírita. É evidente que a ausência de
estudos de Kardec não é prudente nas instituições espíritas, e é de se estranhar que médiuns
estudiosos e sinceros, continuem com suas consciências escravizadas, incidindo
no velho erro do misticismo e / ou da idolatria.
Quantos aos médiuns
idolatrados é importante adverti-los que
o seu maior inimigo não é quem os adverte, mas o seu personalismo e sua pirraça
no voluntário desconhecimento dos seus deveres à luz do Evangelho. Há médiuns que se convenceram quanto aos
fenômenos, sem se converterem ao Evangelho pelo coração, trazendo para as
fileiras do Espiritismo os seus caprichos pessoais, opiniões cristalizadas no
endurecimento do coração.
É importante prevenir fraternalmente
que os Espíritos que se apresentam como “caboclos” e “pretos(as)-velhos(as)”
nos terreiros ou noutros recintos possuem muito pouco ou quase nada de si
mesmos para ensinar, em termos de filosofia espírita.
O princípio do ÓBVIO nos
sussurra que devemos ter respeito,
atenção, carinho, amor, sincero desejo de ajudar tais entidades, porém essa não
é uma recomendação isolada para Espíritos de “caboclos” e
“pretos(as)-velhos(as)”. Isso vale para toda e quaisquer comunicação mediúnica.
Dizem que por trás desses
estereótipos (“pretos(as)-velhos(as)” , “caboclos”) podem estar
"médicos", "filósofos", "poetas", etc., que
apenas se utilizam de tais "roupagens" para ensinarem melhor (!...).
Conquanto exista obra mediúnica já consagrada nas hostes espíritas que afiance isso,
particularmente, duvido sobre tal veridicidade. Nada mais precipitado do que se
dar crédito a esses argumentos. Até porque, o PENSAMENTO é a linguagem, por
excelência, no mundo espiritual e a forma e trejeitos no falar e agir são
adicionais supérfluos e desnecessários.
Ora, não há eternos espíritos
de “pretos(as)-velhos(as)”, nem
brancos(as)-velhos(as), até porque todos estão em processo de evolução e não
podem permanecer nessas categorias. Por essa razão, devemos ter toda cautela
com os seus atavismos primários. Até porque, essas entidades precisam
descontruir tais psiquismos atávicos que, a rigor, mais assemelham-se aos
mitológicos “deuses” do velho politeísmo.
A Doutrina dos Espíritos está
estruturada nas Obras Básicas de Allan Kardec e não possui ramificações ou
subdivisões com outras crenças. Seu corpo doutrinário está contido nos ensinos
dos Espíritos Elevados (isso mesmo! Espíritos Superiores). Motivo pelo qual,
não podemos nos acomodar com um Espiritismo "à moda brasileira" , ou
seja, um Espiritismo umbandizado, catoliquizado, irracional, místico e
mistificado por desajustados centros “espíritas” que insistem por difundir as ingênuas fábulas da carochinha...