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Luiz Carlos Formiga |
“Falar é uma
necessidade, escutar é uma arte.” Goethe (*)
A vida física
desaparece, mas a psicológica clama pela continuidade da existência. A mente
humana acha insuportável a inexistência da consciência. Isso é um problema,
pois existem Leis Naturais a incentivar a responsabilidade pessoal, mesmo
depois da morte.
Hoje sabemos que há
um tribunal, um juiz, um oficial de justiça, um carcereiro. Tudo que temos
direito.
Vamos
ao mais do mesmo, neste “dia dos mortos”. Relembro que alguns periódicos
espíritas já me pediram a produção de textos. Isso me deixa em dificuldade e
tenho que explicar que só escrevo quando desperto na madrugada sentindo uma
vontade imperiosa de ir ao computador.
Na
madrugada, quando eu soltar a minha voz, por
favor entenda que palavra por palavra, eis aqui uma pessoa se entregando.(1)
Quando
estive num “Culto no Lar” o médium colocou música do Rei Roberto Carlos. Aí,
perdi o preconceito e até já escrevi ao som de Ben Harper. Talvez porque as
tenha usado, “sem pudor”.
Neste
meu “culto” de hoje me veio à memória a mensagem do espírito Gonzaguinha.
Já
referi também que talvez por esperar “a vontade imperiosa”, escrevo pouco e a motivação
surge quando meus olhos se molham, pelo tema, pelo problema, pela minha impotência,
pela incompetência. E se eu chorar e o
sal molhar o meu sorriso, não se espante, cante que o teu canto é a minha força
pra cantar.
Ainda
creio que é problema psiquiátrico, pois escrevo para não me sentir principalmente
omisso. Não penso em população alvo, específica e, se o leitor vai me ajudar. Todos
estão sempre absorvidos pelas próprias superações. Mas, quando eu soltar a minha voz, por favor entenda que é apenas o meu
jeito de viver o que é amar.
Confesso que gostaria que me ajudassem a divulgar
valores éticos espíritas, Mas, para isso creio que teria que dar uma “tacada
genial”. Aquela da “bola preta”, que fosse capaz de lhes tocar as fibras mais
íntimas da caçapa, sangrando-lhe as entranhas emocionais, salgando as emoções,
de que fala o Rei.
Será
que o aborto de anencéfalos seria um tema capaz desse milagre?
E
o suicídio de espíritas? (2)
Coração na boca,
com o peito aberto, vou sangrando. São lutas dessa nossa vida que eu estou cantando,
teclando.
Depois
que escrevo a desconfortável sensação de omissão desaparece ou diminui. Fica mais
longe a próxima madrugada, de sono insuficiente (3).
Suicídio
de espíritas, sim, é tema capaz de realizar o milagre de quebrar a indiferença
aparentemente orgulhosa.
Já
escrevi também sobre sexualidade e drogas. Foi muito pequena a repercussão, mas
chegamos à primeira página do Jornal Espírita. Avisou-me o Palhano quando
estava num congresso na Bahia. Não me lamento pela indiferença, porque aquela
sensação de omissão, desaparece e fica longe por muitos dias. É como se eu
tomasse mais uma dose da vacina da resiliência.
Sangrando
podemos ser tentados pela revolta (4), porque ainda desejamos inúmeros
privilégios, como um “foro privilegiado” (5).
Por favor!
Homem velho renovado afasta a ideia da pena de morte, embora os “mais iguais”
possam cumprir até “prisão domiciliar”, havendo dinheiro para comprar o
adereço.
Diante de
tanta injustiça corremos o risco de ver surgir em nós “o homem velho” que fazia
justiça com as próprias mãos. O homem velho renovado pode até pensar, uma vez
ou outra, que até seria bom se Jesus e Kardec estivessem errados.
Mas,
Jesus demonstra a imortalidade, lecionando com aulas práticas. Kardec amplia
Sua resposta, dada a Nicodemos na calada da noite, quando foi interpelado sobre
o “nascer de novo”. Agora vem Bezerra insistindo em diversas comunicações: Não tendes mais arenas, nem as cruzes, nem
os empalhamentos, nem as fogueiras (6).
Se Jesus
e Kardec estivessem errados aliviaria a “minha barra”, de espírito que entrou
no cheque ouro e no cartão de crédito, em dívida com a Lei Divina e com paixões
internas a vencer.
Creio que
ainda no processo de reencarnação, na espiritualidade, optei pela delação
premiada, mas ainda estou preso no corpo na terceira idade. Uso aquele enfeite
eletrônico de tornozelo. No entanto, o pior mesmo é sentir esse mal estar,
quando examino o histórico da liberação do aborto no Brasil. Veja o histórico
na referência número 3.
Estou
evoluindo. Já não sinto raiva intensa dos governantes. Eles chutaram o balde,
mas depois terão que limpar o chão. Devemos permanecer alertas, para não
sucumbir ao “canto da sereia”. A Lei Divina não nos deixa escapar. Jesus alertou:
Entra em acordo
depressa com teu adversário, enquanto estás com ele a caminho do tribunal, para
que não aconteça que o adversário te entregue ao juiz, o juiz te entregue ao
carcereiro, e te joguem na cadeia. Com
toda a certeza afirmo que de maneira alguma sairás dali, enquanto não pagares o
último centavo.
(Mateus, 5:25).
Onde está
o tribunal? Quem é o juiz? Quem é o carcereiro? Onde é o presídio de segurança
máxima? Qual a condição para libertação?
(*) Linhas Tortas.
2. Carta de Susana Rodrigues. Sobral.
Ceará.24/10/2016. http://www.oconsolador.com.br/ano10/489/cartas.html