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Paulo Neto |
Temos atendido aos convites de confrades
para fazer a palestra intitulada “Espírito de Verdade, quem seria Ele?”,
que, por sinal, temos visto que a resposta do público é bem positiva.
Tomamos conhecimento de que um confrade
fez circular, pela internet, um texto que nos parece ter o objetivo de
contestar a nossa opinião, no qual afirma, em título, que as “Psicografias de
Eurípedes Barsanulfo confirmam: o Espírito de Verdade é João Batista”.
A base da palestra é a nossa extensa pesquisa
intitulada “Espírito de Verdade, quem seria Ele?” ([1]),
onde, essencialmente, nas obras da Codificação Espírita, pode-se concluir que
se trata mesmo de Jesus, embora isso ainda cause surpresa a alguns confrades.
Inclusive, percebemos que isso não é bem-aceito, por um reduzido grupo, que não
aceita a possibilidade de Jesus se comunicar com os homens. Tudo bem, mas, de
nossa parte, ainda preferimos acreditar em suas palavras: “Não vos deixarei
órfãos, voltarei a vós.” (João 14,18). E, para falar bem francamente, não
conseguimos entender o porque disso, pois, a nós, parece ser mais difícil a um
Espírito Puro encarnar entre os homens do que se comunicar com eles. E Jesus
fez os dois.
O confrade tomou como base de seus
argumentos contestatórios a obra Eurípedes, o médium de Jesus, que contém
as comunicações recebidas pelo médium durante o período de 1906 a 1909. Cita
alguns trechos, com os quais sustenta sua tese. Parte deles transcreveremos e,
para que visualmente fique mais fácil a identificação, iremos destacá-los,
sombreando o pano de fundo na cor cinza azulado. O que estiver em negrito é
grifo do original.
1ª transcrição ([2]):
O médium Aristides sonambolizado [sic] disse:
Oh! Meu Deus, não sou digno de ver a beleza esplendente de um trono
refulgente, de um trono iluminado pelos arcanjos, que abaixam reunidos em um só
foco num quadro fluídico e que vem ao meu encontro.
Acham-se à frente nosso bom Bittencourt Sampaio, Vicente de Paulo e São
João Batista, o imperador da nossa doutrina. (…)
Excerto de comunicação do espírito de Floriano Peixoto em 1906.
Não sabemos as razões pelas quais o Espírito
Floriano Peixoto designa João Batista de “o imperador da nossa doutrina”, pois
até o presente momento nunca vimos essa designação ser atribuída a nenhum
Espírito como tendo essa função em relação à Doutrina Espírita.
Ademais, não podemos nos esquecer de que Kardec
deixou bem claro que:
O Espiritismo não é mais a obra de um único Espírito como não é a de um
único homem; é a obra dos Espíritos em geral. Segue-se que a opinião de um
Espírito sobre um princípio qualquer não é considerada pelos Espíritos senão
como uma opinião individual, que pode ser justa ou falsa, e não tem valor senão
quando é sancionada pelo ensino da maioria, dado sobre os diversos pontos do
globo. Foi esse ensino universal que fez o que ele é, e que fará o que
será. Diante desse poderoso critério, caem necessariamente todas as teorias
particulares que sejam o produto de ideias sistemáticas, seja de um homem, seja
de um Espírito isolado. Uma ideia falsa pode, sem dúvida, agrupar ao seu
redor alguns partidários, mas não prevalecerá jamais contra aquela que é
ensinada por toda a parte. (grifo nosso) ([3])
Portanto, a opinião do Espírito
Floriano Peixoto não passa de opinião pessoal, que não encontra
respaldo em qualquer obra espírita que tenha alguma mensagem do plano
espiritual que confirme isso.
Na Revista Espírita 1861 encontramos o artigo “O
Espiritismo em Lyon”, no qual Kardec cita uma alocução que lhe foi dirigida
quando em visita ao grupo espírita de Saint-Just, da qual destacamos o seguinte
trecho:
"Senhor Allan Kardec, discípulo
de Jesus, intérprete do Espírito de Verdade, sois nosso irmão em Deus; estamos
todos reunidos em um mesmo coração, sob a proteção de São João Batista,
protetor da Humanidade, precursor do grande mestre Jesus, nosso Salvador.
[…].
“Todos nós te dizemos isto, do fundo
do coração; estamos animados pelo mesmo fogo e repetimos todos: Glória a Allan
Kardec e aos bons Espíritos que o inspiraram! e vós, bravos irmãos, Sr. e Sra.
Dijoud, os benditos de Deus, de Jesus e de Maria, estais gravados em nossos
corações para deles não sair jamais, porque sacrificastes por nós os vossos
interesses e os vossos prazeres materiais. Deus o sabe; nós o agradecemos por
vos ter escolhido para essa missão, e agradecemos também o nosso protetor
superior São João Batista.
“Obrigado, senhor Allan Kardec; mil
vezes obrigado, em nome do grupo de Saint-Just, por ter vindo entre nós,
simples operários, e ainda bem imperfeitos em Espiritismo; […].” (grifo nosso) ([4])
A designação que temos é de que
João Batista era o “protetor da Humanidade”, e, pelo que se vê, também exercia
a função de protetor espiritual do grupo de Saint-Just. Ficamos sem entender
qual a razão de, nessa época, em que se revelava a Doutrina dos Espíritos, ele se
manifestava ora como João Batista, ora como Espírito de Verdade. Seria um caso
de dupla personalidade?
Também não deixamos de
estranhar o fato de que um Espírito, do qual não se tem uma só mensagem em toda
a codificação, no caso João Batista, viria assumir a função de “imperador da
nossa doutrina”, em detrimento de outros de participação ativa, como, por
exemplo, os três que mais se destacam: São Luis, Erasto e Fénelon.
Teremos, na sequência, mensagens
cujo médium utilizado foi o sacramentano Eurípedes Barsanulfo.
2ª transcrição ([5]):
Quero,
irmãos, me referir ao grande Espírito da Verdade, que Jesus outrora
prometera enviar e que se acha entre vós, dispensando-vos consolo,
graças e obséquios às mãos cheias. Ouvi suas vozes, irmãos, pois elas
procedem da mansão celestial.
Mateus, Apóstolo do Cristo
Que o Espírito de Verdade se “acha
entre vós” é fato, isso já o diziam os Espíritos que participaram da
Codificação; por consequente, nenhuma novidade; entretanto, aqui não se está
identificando quem ele é; isso não se deve esquecer.
Aliás, na sequência da mensagem,
parece-nos que Mateus, autor da mensagem, está para identificar o Espírito de
Verdade, como sendo a Doutrina Espírita: “Meus irmãos, o Espiritismo é uma pura
verdade. Ai daquele que procurar impedir-lhe a marcha; melhor fora não ter
nascido, porque ele vem completar os ensinamentos tão sublimados que aí deixou
o N. S. Jesus Cristo.” ([6])
3ª transcrição ([7]):
É hoje o
dia em que se comemora a saída deste mundo de sofrimento e dor em que vos
achais do grande apóstolo da Verdade: JOÃO BATISTA (mensagem original
com maiúscula)
Vicente de
Paulo (mentor espiritual de
Eurípedes Barsanulfo), 24/06/1906.
É aqui que o nobre confrade, que nos
refuta, foi traído por uma interpretação apressada, o que, para nós, indica que
tinha ideia preconcebida, que achou ter encontrado algo para sustentá-la. Como?
Por que? É bem simples: o texto, claramente, identifica João Batista como
apóstolo da Verdade. Ora, como ele, João Batista, pode ser, ao mesmo tempo, o
próprio Espírito de Verdade e o “grande apóstolo da Verdade”? Tem sentido
alguém, num mesmo momento histórico, ser apóstolo dele mesmo?
4ª transcrição ([8]):
Entre vós
está o grande enviado de Jesus, o Espírito da Verdade. Atentos, ouvi-lhe a voz,
abri-vos os corações aos seus transcendentalíssimos ensinamentos (…) Uni-vos e,
impulsionados por um só desejo erguei vossos olhos ao Céu e dai graças ao Deus
pela misericórdia que ainda teve para convosco, enviando-vos este novo
instrutor, este novo guia, este novo salvador.
Maria, serva de Deus – 01/07/1906.
Veja, caro leitor, que interessante.
Se a primeira frase estivesse desse modo: “Entre vós está o grande enviado de
Jesus: (dois pontos) o Espírito da Verdade”, então, seria fácil entender que
estava falando de uma pessoa enviada; porém, no texto como está estruturado, ou
seja, “Entre vós está o grande enviado de Jesus, (vírgula) o Espírito da
Verdade”, trata-se de um aposto, que explica o termo anterior; portanto, a
expressão Espírito da Verdade designa a Jesus. Compare-se com a transcrição anterior:
“É hoje o dia em que se comemora a saída deste mundo de sofrimento e dor em que
vos achais do grande apóstolo da Verdade: JOÃO BATISTA.”, destacamos os dois
pontos, após a palavra Verdade, que vem identificá-lo como sendo João Batista;
bem simples, não?
Será que deveria ser Eurípedes quem se
poderia identificar como o “entre vós está o grande enviado”? Ou, quem sabe,
não seria o próprio Kardec?
Podemos ter mais firmeza disso quando,
ao final, se diz “este novo instrutor, este novo guia, este novo salvador”, expressão
que não se aplica a ninguém mais, a não ser a Jesus. Totalmente fora de
propósito querer aplicá-la a João Batista, tendo-o como o Espírito de Verdade.
5ª transcrição ([9]):
Este
consolador, este Espírito de Verdade na Terra, está desde o dia em que o Divino Senhor reergueu para de novo, tornar
ao seio de seus discípulos e de seus apóstolos dizendo: “Paz seja convosco!
Pensáveis que Eu morreria para sempre e eternamente, mas o espírito não morre,
discípulos e discípulos amados, ide e pregai e batizai a todos, pois
aquele a quem vos ligardes na Terra, ligado será no céu!”
(…) Sim
Jesus outrora falara que este Consolador era perpetuamente entre a
humanidade, estaria com os humildes, com os fervorosos. Ei-lo entre vós pregando
de novo a palavra do Senhor.
(…) Mães,
aquecei no tépido inefável calor do seio de Jesus Senhor os vossos filhos e, a
vós também oh! Mãe, que trouxestes ante esse mesmo Espírito Consolador a
vossa filhinha para ser batizada, está incumbida a lição do Evangelho.
Anjo
Gabriel
Se o Espírito de Verdade está na Terra desde o dia
em que o Divino Senhor ressuscitado se manifestou aos discípulos e apóstolos,
então, a conclusão que se pode tirar é que o Espírito de Verdade é o próprio Jesus,
pois foi, exatamente, ele que voltou do túmulo e se manifestou a todos eles. E
agora, a partir do meado do século XIX, temos que “Ei-lo entre vós pregando de
novo a palavra do Senhor”.
6ª transcrição ([10]):
Sessão em
1908
Glorificados
sejais, filhos de Deus, que buscais os raios desta bendita luz que Deus acende
na Terra para iluminando a todos, assim dizer: Meus Filhos, na Terra, sempre eu
vos esclareci e iluminei pelas bocas dos profetas desde Moisés até Elias,
desde Elias até João Batista, de João Batista até ao meu Amado Filho.
Por todos tenho semeado em vossos corações o amor que de tantos marcados
exemplos vos tenho dado, porém meus filhos, o vosso Governador, o vosso
Redentor Jesus, falando aos apóstolos e por isso a humanidade inteira Jesus
promete enviar como na passada sessão que foi dito por meu legado Gabriel, promete
Jesus, repito, o Espírito Consolador.
Acompanhai-o,
segui-o e vos chegarei até a Mim, porém meus filhos quando este mesmo
Espírito de Verdade, falando ao povo como outrora Jesus, encontra da parte do
povo, de alguns de boa vontade, de fé ardente, de outros a indiferença que quer
isto denotar é que através de tantos séculos a humanidade busca ter sempre o
mesmo procedimento.
João
Batista
Em A Gênese, cap. XVII, item 39, Kardec, analisando
João 14,15-18 e 26, esclarece-nos que o Consolador e o Espírito de Verdade, são
duas coisas distintas:
Qual
deverá ser esse Enviado? Dizendo: “Pedirei a meu Pai e Ele vos enviará outro
Consolador”, Jesus indica claramente que esse Consolador não seria Ele próprio, pois, do contrário, teria dito:
“Voltarei para completar o que vos tenho ensinado”. Apenas acrescenta: A fim
de que fique eternamente convosco e ele estará em vós. Impossível esta
sentença referir-se a uma individualidade encarnada, uma vez que não poderia
ficar eternamente conosco, nem, ainda menos, estar em nós; compreendemo-la,
porém, muito bem, com referência a uma doutrina, a qual, com efeito, quando a
tenhamos assimilado, poderá estar eternamente em nós. O Consolador é, pois,
segundo o pensamento de Jesus, a personificação de uma doutrina soberanamente consoladora, tendo por inspirador o Espírito
de Verdade. (grifo itálico do original, em negrito nosso) ([11])
Faz-se uma grande confusão entre as duas
designações – Espírito Consolador e Espírito de Verdade –, que, como visto,
para Kardec, eram temos distintos.
Há menção de que Jesus é o nosso Governador, fato
esse que, em Léon Denis (1846-1927), se confirma:
A
passagem de Jesus pela Terra, seus
ensinamentos e exemplos, deixaram traços indeléveis; sua influência se
estenderá pelos séculos vindouros. Ainda hoje, ele preside os destinos do globo em que viveu, amou, sofreu. Governador espiritual deste planeta,
veio, com seu sacrifício, encarreirá-lo para a senda do bem, e é sob a sua direção oculta e com o seu
apoio que se opera essa nova revelação, que, sob o nome de moderno
espiritualismo, vem restabelecer sua doutrina, restituir aos homens o
sentimento dos próprios deveres, o conhecimento de sua natureza e dos seus destinos.
(grifo nosso) ([12])
Ressaltamos que Léon Denis é considerado como um
dos principais seguidores de Allan Kardec e difusor da Doutrina Espírita após
sua morte. Quando ele afirma que Jesus opera a Nova Revelação sob direção
oculta, nos remete ao Espírito de Verdade, o novo nome de Jesus. Sim, um novo
nome! Para comprovar, vejamos o que se encontra em o Apocalipse (3,11-12):
“Venho logo! Segura com
firmeza o que tens, para que ninguém tome a tua coroa. Quanto ao vencedor,
farei dele uma coluna no templo do meu Deus, e daí nunca mais sairá. Escreverei
nele o nome do meu Deus e o nome da Cidade do meu Deus – a nova Jerusalém, que
desce do céu, de junto do meu Deus – e o meu
novo nome.” (grifo nosso).
Essa previsão sobre a volta de Jesus tem uma referência explícita de que Ele viria
com um novo nome. Resta-nos saber se voltou com esse novo nome ou não.
Encontramos
na Revista Espírita 1868 uma mensagem falando sobre a regeneração da
humanidade, cuja assinatura consta, simplesmente, Um Espírito. Vejamos um
trecho:
[…]
Coragem! O que foi predito pelo Cristo deve-se realizar. Nesses tempos de
aspiração à verdade, a luz que ilumina todo homem vindo a este mundo, brilha de
novo sobre vós; perseverai na luta, sede firmes e desconfiai das armadilhas que
vos são estendidas; ficai ligados a esta bandeira onde vós haveis escrito: Fora
da caridade não há salvação, e depois esperai, porque aquele que recebeu a missão de vos regenerar retorna, e ele disse: Bem-aventurados aqueles que
conhecerem o meu novo nome! (grifo nosso) ([13])
Fala-se
abertamente que Cristo retornou, com a missão de regenerar a Humanidade,
considerando “bem-aventurados aqueles que conhecerem o meu novo nome”,
cumpriu-se assim a previsão em Apocalipse (Ap 3,11-12).
Observe, caro leitor, que a mensagem está assinada
por João Batista, então, como já dito, é um caso de dupla personalidade.
7ª transcrição ([14]):
A luz
inestimável da regeneração ilumine-vos os arcanos, o íntimo de vossos
espíritos. Quando a atmosfera se carrega de nuvens, quando enegrece o céu,
agitam-se os arvoredos movidos pela potente força do ar em vertiginosa
carreira, os habitantes da Terra dizem: Eis os prenúncios da dúvida (…)
Acaso os
humanos seres, na revolução moral que se opera neste momento na superfície
terrena, não veem os indicios flagrantes da vinda d´ Aquele que eternamente
ficará entre os homens, porque como uma emanação d´Aquele
para quem não se fez a morte. Como eflúvios eternos, sendo este Espírito,
aquele que d´Ele procede espírito é, logo pode preencher os atributos
d`Aquele que Jesus prometera aos homens habitantes da Terra. Ei-lo!
Explica, com toda a sua simplicidade ao alcance de todas as inteligências, as
divinas parábolas de Jesus. Ei-lo disseminando por toda a parte consolo, alívio
e bençãos.
E acaso,
pergunto ainda, aqueles que beneficiados de tão celestiais dons podem formular
em seus corações a dúvida de que a grata promessa não se realizara e nem
realizar-se-á? Ó se estes que enxergam não veem, eis os que d´eles disseram os
puros lábios de Jesus: “Têm olhos e não veem, ouvidos e não ouvem!’ Como a
inteligência humana recohece os indícios da próxima borrasca e não tem
conhecimento dos dias que prenunciam o Espírito Consolador.
Volvei,
caros irmãos, a vossa fé para o Deus de Bondade; alentai as acariciadoras
esperanças que em vossos seios inoculara o Filho da doce Maria. A esperança da
paz, da fraternidade e do amor, por este mesmo Consolador vai ser, de
fato, uma realidade (…)
Homens,
escutai e segui os conselhos do Espírito Consolador. Ele vem ensinar as
verdades que Jesus não pudera revelar, devido não suportá-las naquela época. É
chegado o momento em que vós, por intercessão do Consolador Eterno
haveis de contrair aliança com o inefável sentimento da Caridade (…)
Bispo de
Argel – 04/06/1908
Espírito Consolador, referência ao
Espiritismo, conforme interpretação do Codificador, já mencionada. Tanto é que
o Bispo de Argel continua argumentando:
Todo aquele que, abrindo as páginas
da obra imortal do gênio de Allan Kardec, e nelas demorar os olhos sobre os
ensinamentos que elas encerram, ensinamentos transmitidos pelos espíritos do
Senhor, nela encontrará a página mais palpitante e traducente da
verdadeira doutrina do Meigo Nazareno. […].
[…] Os obreiros deste grande edifício
delineado pelo Divino Arquiteto Jesus estão em franca atividade! Os espíritos
do Senhor quebrando os mistérios escondidos sob a lápide dos túmulos, vêm dizer
aos seres humanos: Homens, Deus convida-vos à verdadeira vida – a vida da
pureza, a vida dos anjos! Homens escutai e segui os conselhos do Espírito Consolador!
Ele vem ensinar as verdades que Jesus não pudera revelar, devido não
suportá-las naquela época! É chegado o momento em que vós, por intercessões do
Consolador Eterno haveis de contrair aliança com o inefável sentimento da
caridade! ([15])
Sigamos
em frente.
8ª
transcrição ([16]):
Volvem-se
os tempos. Este sentimento transfunde no íntimo de cada um , e os olhos como
que voltados ao céu, interrogam: Porque como os primeiros povos não temos o
sol da verdade a iluminar-nos? E no horizonte das almas boas, dardejam os
raios do mesmo sol – Ele o grande Espírito Consolador de que
falara Jesus! E ele que terá de permanecer eternamente entre vós a ensinar-vos
a balbuciar as primeiras palavras do alfabeto divino. E é a ele que vós, quais
mariposas atraídas pelos lampejos da luz, vinde interrogar-vos sobre ser ele o
cumprimento da promessa do Cristo
A vossa
interrogação, vo-la respondo eu, é, caros irmãos da Terra, este mesmo
espírito de que falara Jesus, portador de regeneração e luz
convidando-vos à fé, ao amor e à fraternidade.
Bittencourt
Sampaio – 10/10/1908.
O trecho “E ele terá de permanecer
eternamente entre vós”, é explicado pela transcrição que fizemos da A Gênese, cap.
XVII, item 39, na qual realçamos o seguinte trecho:
[…]
Apenas acrescenta: A fim de que fique eternamente convosco e ele estará em vós.
Impossível esta sentença referir-se a uma individualidade encarnada, uma vez
que não poderia ficar eternamente conosco, nem, ainda menos, estar em nós;
compreendemo-la, porém, muito bem, com referência a uma doutrina, a qual, com
efeito, quando a tenhamos assimilado, poderá estar eternamente em nós. O Consolador
é, pois, segundo o pensamento de Jesus, a personificação de uma doutrina soberanamente consoladora,
tendo por inspirador o Espírito de Verdade. (grifo itálico
do original, em negrito nosso) ([17])
Espírito Consolador ou, simplesmente, Consolador é o Espiritismo,
reafirmamos.
Encontramos nessa obra, Eurípedes,
o médium de Jesus, uma mensagem de Kardec, com o seguinte teor:
Meus filhos!
Que todos participem deste santo
labor, empreendido em prol da causa que esposara o Nosso Senhor Jesus Cristo.
Venho saudar os operosos obreiros que
se dedicam em guiar a humanidade neste trilho em que só brilha a esmeraldina
estrela da Verdade.
Rendendo graças ao Divino Arquiteto,
imploro que volva seus divinos olhos sobre todos que lutam pela paz, pela
caridade e os proteja.
São ardentes os votos que faço para
que marchem com a paz, a fé e a esperança.
Deus os proteja.
Os trabalhos continuarão e terminarão
pela incorporação.
Allan Kardec
(grifo nosso) ([18])
A expressão “só brilha a esmeraldina
estrela da Verdade”, certamente, que, com ela, Kardec se referia a Jesus e não
a João Batista. Aliás, quem foi que disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a
vida.” (João 14,6) Que tal se desdobrássemos esse período: “Eu sou o
caminho. Eu sou a Verdade. Eu sou a Vida.” Será que é preciso ser
mais claro que isso?
Apenas para registro, consultamos
todas as obras publicadas por Kardec e não encontramos uma só vez que ele tenha
empregado as expressões: “Nosso Senhor Jesus Cristo”, típica dos crentes das
religiões tradicionais e “Divino Arquiteto”, comum aos maçons.
Em 30 de setembro de 1906, há uma
mensagem assinada por Melchior, o mago, da qual destacamos:
Espíritas
e cristãos se fundem em uma e a mesma significação esses dois vocábulos.
Cristão quer dizer o que anela colocar-se em posição de bem executar os
ensinamentos que lhes legou o Divino Mestre. Espírita, aquele que ouve não só
do Nazareno, como dos seus mensageiros, que são os seus prepostos da palavra e
se esmera em dar cumprimento o que ela ensina. Praticar o Espiritismo é por
isso mesmo ser-se cristão, pois é o Cristo que comanda a legião do Uno; é
Ele que se acha à testa da regeneração deste globo, que por este motivo
estará com todos os que se empenham em seguir-lhe os ensinamentos, até o fim do
século dos séculos. (grifo nosso) ([19])
Por essa mensagem fica claro que é o
Cristo que preside a legião de Espíritos envolvidos na regeneração da
humanidade através da Doutrina Espírita. Comparemos com essa fala de Kardec:
[…] reconhece-se que o Espiritismo
realiza todas
as promessas do Cristo a respeito do Consolador
anunciado. Ora, como é o Espírito de Verdade que preside ao
grande movimento regenerador, a promessa do seu advento se acha por essa forma cumprida, porque, de fato, é ele
o verdadeiro Consolador. (grifo em itálico do original, em
negrito nosso) ([20])
Em O Evangelho Segundo o
Espiritismo, Cap.
VI, item 4, Kardec já afirmara: “O Espiritismo vem no tempo previsto, cumprir a
promessa do Cristo: preside ao seu
advento o Espírito
de Verdade. […].” (grifo nosso) ([21])
A nossa crença de que o Espírito de Verdade é
Jesus, como o dissemos, tem como base a pesquisa que empreendemos, a qual
resultou no texto, já mencionado, cujo título é “Espírito de Verdade, quem
seria ele?” Algumas coisas dele merecem ser citadas aqui.
Trazemos como primeira testemunha Alexandre, instrutor de
André Luiz, que, a certa altura, lhe diz: “[…] Por que audácia
incompreensível imaginais a realização sublime sem vos afeiçoardes ao Espírito
de Verdade, que é o próprio Senhor?” (grifo nosso) ([22]) É bom
não esquecermos que a obra Missionários da Luz, na qual consta esse
trecho, veio pela psicografia de Chico Xavier.
Na Codificação, os Espíritos designavam o Espírito de Verdade com as
seguintes expressões: “nosso mestre bem-amado” (Erasto) ([23]); “mestre de todos nós” (Erasto) ([24]);
“o Filho de Deus” (Antoine) ([25]);
“meu senhor e vosso” (Erasto) ([26])
O Espírito
Hahnemann, que, em vida, fundou a Homeopatia (1779), afirmou “[…] cada um
procurará, pela melhoria de sua conduta, adquirir esse direito que o
Espírito de Verdade, que dirige este globo, conferirá quando for merecido.”
(grifo nosso) ([27]).
Ora, será que temos dois presidentes? Não foi dito que Jesus preside o globo?
Não, claro que não. Isso apenas significa que o Espírito de Verdade e Jesus são
o mesmo personagem.
Essa é parte
das informações que colhemos com as quais formamos a nossa convicção de que o
Espírito de Verdade é Jesus, e isso é algo que não temos a pretensão de impor a
ninguém; que cada um acredite no que quiser. O grande problema é quando se
misturam opiniões calcadas em fundamentos pouco convincentes, pois se
estabelece uma confusão “dos diabos” no meio espírita.
A coisa é tão grave que, além dos partidários de
que o Espírito de Verdade é João Batista, também temos aqueles que defendem
ferrenhamente o pensamento de que João Batista é uma das antigas reencarnações
de Kardec. Prato-cheio para os detratores, e confusão total entre os neófitos e
aqueles pouco dados a estudos.
Paulo da Silva Neto Sobrinho
Nov/2015
Referência
bibliográfica:
DENIS, L. Cristianismo e
Espiritismo. Rio de Janeiro: FEB, 1987
EEC. Eurípedes, o médium de Jesus – mensagens inéditas recebidas por
Eurípedes Barsanulfo entre 1906-1909 – Sacramento, MG: Ed. Esperança e
Caridade, 2001.
KARDEC, A. A Gênese. Rio de
Janeiro: FEB, 2013.
KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Rio de Janeiro: FEB, 2013.
KARDEC, A. Revista Espírita 1861.
Araras, SP: IDE, 1993.
KARDEC, A. Revista Espírita 1862. Araras, SP: IDE, 1993.
KARDEC, A. Revista Espírita 1864.
Araras, SP: IDE, 1993.
KARDEC, A. Revista Espírita 1865.
Araras, SP: IDE, 2000.
KARDEC, A. Revista Espírita 1868.
Araras, SP: IDE, 1993.
KARDEC, A. Revista Espírita 1868.
Araras, SP: IDE, 1993.
[4]
KARDEC, RE 1861, 1993. p. 292.
[6] Consta
em: EEC, 2001, p. 52.
[7] Consta
em: EEC, 2001, p. 87-89.
[8] Consta em EEC, 2001, p. 96.
[9] Consta em EEC, 2001, p. 168-169.
[10] Consta em EEC, 2001, p. 171.
[11] KARDEC,
2013, p. 330.
[12] DENIS,
1987, p. 79.
[13] KARDEC, RE 1868, 1993, p. 96.
[14] Consta em: EEC, 2001, p. 177-178.
[15] EEC, 2001, p. 178.
[16] Consta em: EEC, 2001, p. 180-181.
[17] KARDEC,
2013, p. 330.
[18] EEC, 2001, p. 38.
[19] EEC, 2001, p. 145.