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O FUTURO DA FÉ OU A FÉ DO FUTURO

  Margarida Azevedo Portugal Se estivéssemos sobre uma ponte a olhar para baixo, uma ponte sobre uma auto-estrada, por exemplo, observaríamos automóveis a rolar nos dois sentidos num movimento sem fim. Perguntar-nos-íamos, certamente, qual o seu destino. A nossa vida trilha um rumo de alguma forma idêntico. Percorremos um caminho sem fim, nem todos no mesmo sentido, numa panóplia de objectivos, tantos quantos os transeuntes. Por vezes, enganamo-nos e temos de mudar de caminho, às vezes até voltar atrás e recomeçar de novo. Se pensarmos que, entre o infinito de combinações moleculares possíveis,  eis-nos na vida para a maior certeza que temos, para muitos a única, experimentarmos a morte, isto dá-nos que pensar. Ora, como a razão, sózinha, parece impotente para descortinar tais mercês, entramos no campo da fé. Esta, porém, não nos oferece melhores perspectivas na medida em que traça horizontes inter-estelares, projecta-nos no espaço, criando escalas de níveis com...

Espiritismo, da França para o Brasil .

por  Artur Felipe de Azevedo Ferreira Os efeitos do ecletismo e da heterodoxia no movimento espírita francês Pierre-Gaëtan Leymarie (1827-1901) Como bem sabemos, o Espiritismo surgiu na França em 1857, com a publicação de “O Livro dos Espíritos” pelo professor Hippolyte Léon Denizard Rivail, que utilizou-se do pseudônimo “Allan Kardec” para que ficasse bem marcada a distinção daquele seu trabalho com outros oriundos de sua profissão como respeitado pedagogo, discípulo de Pestalozzi. Com o sucesso alcançado pela primeira obra da Codificação Espírita, base de todo o edifício doutrinário, Allan Kardec decidiu fundar, em  Paris, a 1 de abril de 1858 , a  “Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas” , cuja existência justificou da seguinte maneira: “A extensão por assim dizer universal que tomam diariamente as crenças espíritas faziam desejar vivamente a criação de um centro regular de observações. Esta lacuna acaba de ser preenchida. A Sociedade cuja f...

“Armar” a população é inútil; “Amar” o povo - eis o caminho da paz (Jorge Hessen)

Jorge Hessen jorgehessen@gmail.com Com a proclamação da República em 1889, seguindo-se a promulgação da Constituição de 1891, o Brasil adotou um modelo presidencialista de democracia representativa por meio de sufrágio  direto . O Ato Institucional Número Um e a subsequente Constituição de 1967 determinavam a instituição de eleições presidenciais  indiretas , realizadas por meio de um colégio eleitoral, modelo que se seguiu até a promulgação pela Constituição de 1988, que restabeleceu o voto  direto , secreto e universal, e possibilita uma participação popular maior que todos os pleitos anteriores. Dos 30 pleitos para presidente, 22 foram realizados de forma  direta  e 8 de forma  indireta , tendo havido apenas uma eleição extraordinária, em 1919. No contexto, apenas 4 eleições foram vencidas pela chamada “oposição” (1960, 1985, 1989 e 2002), sendo três  diretas  e uma  indireta . Em 2018 haverá nova ...

Entrevistando José Sola

1. A FEB é realmente a entidade que representa ou congrega a doutrina espírita no Brasil? Ela tem legitimidade para unificar as controvérsias doutrinarias como faz o Papa no catolicismo? Sola -   Infelizmente não. A FEB não congrega valores legítimos que lhe outorgue condições para ser a legitima representante da doutrina espirita no Brasil, embora ela assim julgue. A FEB ao ser fundada, sem duvida alguma, era a esperança da espiritualidade de ser a representante da união e da concórdia, de ser o ponto de convergência em que os espiritas encontrassem respostas as duvidas que se apresente no seio da doutrina, demonstrando uma resultante conclusiva do roteiro a seguir, todo aquele que é, ou pretende ser, um adepto do espiritismo. Mas os que deveriam ser a bussola de orientação, aos quais competiria sanar duvidas, mantendo-se sempre atentos ao espiritismo codificado por Allan Kardec, estes sucumbiram subordinados por uma falange de entidades místicas que os submete...